O Presidente da República confirmou esta segunda-feira ter recebido o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes, e disse que o encontro foi sobre "o papel da Misericórdia no sistema económico e financeiro português".

A informação do encontro foi confirmada ao início da tarde pela TVI.

O atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem sido falado como provável candidato à liderança do PSD, mas ainda não esclareceu publicamente a sua decisão.

Em declarações aos jornalistas, no final de uma cerimónia na Academia das Ciências de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que o encontro com o antigo primeiro-ministro estava previsto "há cerca de um mês" e que não viu razão para o cancelar.

Questionado se falou com Santana Lopes sobre o PSD, tendo em conta que este é apontado como possível candidato à liderança do partido, o chefe de Estado respondeu: "O objetivo era, obviamente, falar de um tema que tem a ver com o cargo que desempenha, só isso".

Falámos do sistema financeiro português", acrescentou o Presidente da República, já enquanto entrava no carro.

Santana Lopes, atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem sido falado como provável candidato à liderança do PSD, mas ainda não esclareceu publicamente a sua decisão.

Em artigo de opinião no Correio da Manhã, publicado na sexta-feira, Santana Lopes deu conta que está a preparar um programa para se candidatar à liderança do PSD.

Se avançar, Santana terá como adversário Rui Rio, que vai apresentar oficialmente a sua candidatura na quarta-feira.

No domingo, o antigo presidente do PSD Luís Marques Mendes afirmou na SIC ter apurado que Pedro Santana Lopes "está inclinado a avançar" e disse que ele "tomará a decisão entre segunda-feira e terça-feira, o mais tardar".

"Que a oposição seja forte e alternativa de Governo"

Esta segunda-feira, o Presidente da República assumiu esperar que a legislatura se cumpra até ao fim, com um Governo reformista e uma oposição forte, capaz de o substituir, se os portugueses assim decidirem, em 2019.

Em declarações aos jornalistas, no final de uma cerimónia no Museu João de Deus, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a comentar diretamente os resultados das eleições autárquicas e a situação do PSD, após o anúncio da saída de Pedro Passos Coelho.

Contudo, defendeu que é importante, "e agora mais do que nunca, que a legislatura se cumpra, que o Governo seja forte e mude aquilo que tem de mudar, isto é, tenha um espírito reformista, e que a oposição seja forte e se constitua como alternativa de Governo".

O chefe de Estado reforçou esta mensagem, afirmando que deve haver, "de um lado, um poder político forte e, do outro lado, uma oposição igualmente forte, em condições de poder substituir, se for essa a vontade dos portugueses, quem está no Governo em 2019".

Orçamento "sem solavancos"

Já sobre o próximo Orçamento do Estado, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se confiante que não terá "solavancos nem crises" na política portuguesa, após ter ouvido os partidos políticos com assento parlamentar.

Questionado pelos jornalistas sobre possíveis efeitos das eleições autárquicas nas negociações do Orçamento do Estado, Marcelo Rebelo de Sousa não respondeu diretamente à questão, mas referiu que termina esta segunda-feira, com a UGT, as audições dos partidos e dos parceiros económicos e sociais.

Aquilo que eu retirei da audição dos partidos é que vai haver Orçamento do Estado, no prazo previsto, e não haverá, portanto, nem solavancos nem crises a propósito do Orçamento do Estado na política portuguesa", afirmou o chefe de Estado.

O Presidente da República ressalvou que a proposta de lei só deverá chegar às suas mãos em dezembro e que tem de "esperar para ver qual é o conteúdo do Orçamento antes de avançar para a sua promulgação".

Marcelo Rebelo de Sousa disse, contudo, não estar "preocupado com a hipótese de não haver Orçamento do Estado".