O Presidente da República afirmou este sábado que os portugueses "têm direito a saber a verdade do que se passou em Pedrógão Grande", referindo-se às irregularidades na reconstrução das habitações na área ardida, denunciadas em reportagens da TVI.

Os processos estão a decorrer. Isso significa que os portugueses têm direito a saber o que se passou, como têm direito a saber o que se passou em termos da reconstrução das habitações na área ardida", disse Marcelo Rebelo de Sousa, em Vila Nova de Cerveira, no Alto Minho.

O Ministério Público culpa a Proteção Civil pelas 66 mortes ocorridas no incêndio de Pedrógão Grande, cujo "combate ao fogo falhou e foi responsável pelo desfecho trágico", noticia hoje o semanário Expresso, avançando que a "acusação está por dias".

O chefe de Estado, que falava aos jornalistas no final da sessão de encerramento do primeiro encontro nacional de cuidadores informais, disse não comentar "processos isolados".

Nunca o faço antes de haver uma decisão que é notificada às pessoas ou às instituições. É bom que vá até ao fim esta investigação, na parte da investigação criminal, na parte da investigação administrativa, da responsabilidade da Inspeção Geral das Fianças. É fundamental que se retirem as conclusões depois destes processos terem decorrido", disse.

Segundo a notícia avançada, "a acusação está praticamente pronta, e deverá ficar concluída no prazo máximo de duas semanas", só não se sabendo se vão ser imputados aos 18 arguidos do processo 64, 65 ou 66 homicídios por negligência.

As acusações mais graves são dirigidas aos comandantes operacionais do combate ao incêndio de 17 de junho de 2017: Mário Cerol, António Arnaut e Sérgio Gomes.

O incêndio que deflagrou em junho de 2017, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, e alastrou a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e mais de 250 feridos, sete dos quais graves, e destruiu 50 empresas e meio milhar de casas, 261 das quais habitações permanentes.

Questionado sobre a recondução do Chefe do Estado Maior do Exército, Marcelo Rebelo de Sousa "desdramatizou" o assunto.

Para o ano que vem, vou ter duas decisões a tomar em matéria de chefias militares, como já tive a do presidente do Tribunal de Contas e como terei, brevemente, a da Procuradoria-Geral da República e já tive, no início do mandato, dos representantes da República nos Açores e na Madeira. Isto para mostrar que não vale a pena dramatizar, faz parte da vida em democracia, o Governo propor e o Presidente da República decidir. Quando o presidente tomar uma decisão, naturalmente, os portugueses saberão".