O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse não acreditar que o Governo do PS, liderado por António Costa, caia após as eleições autárquicas de 2017.

“Não acho que o Governo vá cair” após as autárquicas, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa ao jornal Observador, um dia depois de ter dito que não dará um passo para provocar instabilidade no ciclo político que vai até às eleições locais, no outono de 2017.

O Presidente justificou a declaração que fez na terça-feira, afirmando que “o Governo dura uma legislatura, mas em Portugal há uma tradição de as autárquicas terem uma leitura nacional”.

Depois de recordar que “já houve vários casos”, como a demissão de António Guterres de primeiro-ministro após uma derrota do PS nas autárquicas de 2001, Marcelo Rebelo de Sousa declarou hoje não acreditar na hipótese de queda do executivo, dado que a maioria de esquerda "está estável".

“Veremos aquando das eleições autárquicas o que se passa ou não. O meu desejo é que as autárquicas não venham interromper a governação, mas vamos esperar”, afirmou.

O chefe de Estado considerou que “o desejável é estabilidade até ao final da legislatura”, frisando: “Nada de especulações, não haverá crise nenhuma, vamos continuar serenamente em estabilidade”.

E justificou a sua afirmação na véspera com a necessidade de defender a estabilidade: "Foi para se perceber que estava fora de causa nestes dois anos haver instabilidade. E depois também era desejável que não houvesse. Como havia grande especulação sobre certas leis, queria dizer que nada se alterou significativamente desde o começo da legislatura e das minhas funções. A maioria está estável.”

O que disse, afinal, Marcelo

As declarações que Marcelo Rebelo de Sousa hoje explicou foram feitas durante uma visita ao Regimento de Comandos, na Amadora, em que respondia a perguntas dos jornalistas sobre as suas relações com o primeiro-ministro.

Desiludam-se aqueles que pensam que o Presidente da República vai dar um passo sequer para provocar instabilidade neste ciclo que vai até às autárquicas. Depois das autárquicas, veremos o que é que se passa. Mas o ideal para Portugal, neste momento, é que o Governo dure e tenha sucesso", afirmou então Marcelo Rebelo de Sousa.

Para o chefe do Estado, “o Governo existe para durar uma legislatura [quatro anos]”.

“Há claramente um ciclo político marcado pelas autárquicas e portanto estar a especular sobre instabilidade política nesse ciclo não faz o mínimo sentido”, disse.

Instado a clarificar o que fará após as eleições autárquicas, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que "quer dizer que o que é importante é que o Governo dure e que tenha sucesso".

As reações dos partidos

Passos Coelho não quis comentar as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, mas afirmou que "o ciclo político durará o tempo que as condições do país permitirem e que os partidos que o suportam o Governo decidirem. Não é ao PSD que será imputada responsabilidade por existir uma crise política".

"Certamente que o senhor Presidente da República terá a sua visão, o senhor Presidente já fez outras declarações hoje também dizendo que se tinha referido apenas a esse momento como sendo um momento eleitoral que tem certamente alguma relevância", afirmou Assunção Cristas, do CDS. 

Já José Capucho preferiu dizer que "o que nos [PCP] preocupa e nos centra tem a ver com os objetivos do nosso trabalho neste atual quadro politico, de que é exemplo esta iniciativa para assinalar a reposição dos feriados roubados pelo governo PSD/CDS. Não estamos preocupados com afirmações se as coisas vão até às autárquicas ou até ao fim da legislatura, o que pretendemos é continuar a lutar para reconquistar direitos e melhorias para o povo".