Não tenham vergonha de pedir maioria absoluta, e expliquem porque é que querem maioria absoluta". Se não resultar, "que se preparem os dirigentes partidários" para futuros entendimentos

O comentador da TVI, que falava desta vez num almoço-debate no Clube Militar Naval, em Lisboa, teme um ciclo de instabilidade política com sucessivos governos minoritários.

Um cenário que a maioria absoluta permitiria reverter. E, frisou, não cabe ao próximo Presidente da República " ter um programa de Governo". Deverá, sim, ter como papel principal "fazer pontes". 

No seu entender, para o próximo chefe de Estado "o grande problema vai ser colocar a falar as pessoas para viabilizar, provavelmente, um Governo minoritário".

"Pode acontecer que os próximos cinco anos sejam um ciclo com um só Presidente da República, mas com dois ou três governos", disse depois aos jornalistas. 

Portugal perderia "um aspeto fundamental que custou muito a ganhar ao país, que foi um mínimo de estabilidade política", lamentou. "Eu temo bem que isso possa acontecer", reforçou.

"Até ao fim da primavera, começo do verão do ano seguinte" não poderão ser convocadas novas eleições. "Ou há convergências de regime entre os principais partidos nessa situação transitória, ou então o país pode passar por um mau bocado"

"Isto é, não podem dizer em campanha eleitoral coisas tais que depois considerem irreversíveis e que tornem muito, muito difícil um entendimento, porque vai ter de se negociar daqui a três meses e meio - não é daqui a três anos", advertiu.

Na semana passada, o professor considerou que o empate técnico entre a coligação e os socialistas,  avançado pelo Barómetro da Universidade Católica, na semana passada, é “um aviso muito sério” ao líder do PS, António Costa, numa “altura crucial”.

Já sobre a possibilidade de vir a ser, ele próprio, candidato presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa mais uma vez não falou.