O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa defendeu hoje, em Sintra, debates televisivos com todas as candidaturas, recusando a existência de candidatos "de primeira, de segunda e de terceira" e esperando debater com todos os seus adversários.
 

"Eu disse que, da minha parte, havia uma total disponibilidade de frente-a-frente com todos os candidatos que tivessem candidaturas formalizadas. São dez. Não são três, não são cinco, não são sete, são dez", afirmou o antigo presidente do PSD.


O candidato, que falava antes de almoçar com os bombeiros voluntários de Sintra, salientou que "não há candidatos de primeira, de segunda e de terceira" e que as Presidenciais não são "como em alguns torneios em que há cabeças de série, que se acham mais importantes e outros que não são".
 

"Espero que haja da parte das televisões uma disponibilidade para haver debates de todos com todos", frisou Marcelo, acrescentando que "ninguém é obrigado a ver todos os debates", mas devem ser asseguradas condições iguais para todos os candidatos.


O Tribunal Constitucional admitiu na terça-feira dez candidaturas às eleições presidenciais, que tinham sido formalizadas até 24 de dezembro, com a entrega de pelo menos 7500 assinaturas.

O número recorde de candidatos a Belém é composto por Cândido Ferreira, Edgar Silva, Henrique Neto, Jorge Sequeira, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém, Marisa Matias, Paulo Morais, Sampaio da Nóvoa e Vitorino Silva (Tino de Rans).

As eleições realizam-se a 24 de janeiro de 2016 e o período oficial de campanha eleitoral decorre entre os dias 10 e 22 de janeiro.
 

Reserva bancária ajuda a reforçar sistema financeiro


Marcelo Rebelo de Sousa também considerou positivo o anúncio da constituição de uma reserva de fundos próprios a seis bancos considerados como sistémicos, porque a medida contribui para reforçar a estabilidade do sistema financeiro.
 

"Tudo o que seja reforçar a estabilidade do sistema financeiro, depois de anos em que as pessoas tiveram más surpresas em matéria de sistema financeiro, é bom"


Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, já chega de "más surpresas" no sistema financeiro, por causa do estrangeiro e "do que se passou cá dentro".

"Tudo o que seja ter mais garantias para que as pessoas não tenham de ficar com o dinheiro no colchão, e possam acreditar na aplicação do sistema financeiro, e o sistema financeiro possa investir no crescimento e no emprego, é bom, é muito bom", vincou.

O Banco de Portugal impôs a constituição de uma reserva de fundos próprios, a partir de 01 de janeiro de 2017, à Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Novo Banco, BPI, Santander Totta e Caixa Económica Montepio Geral, anunciou a entidade supervisora.

A imposição da reserva de capital aplica-se às "instituições de importância sistémica", acrescentou o regulador bancário.

Já a recente intervenção no Novo Banco foi de novo elogiada por Marcelo Rebelo de Sousa, porque foi rápida e "não sobrecarregou os contribuintes".
 

"Vamos ser otimistas. Eu acredito que vai haver solidez na base de apoio ao Governo, acredito que vai haver a possibilidade de compatibilizar, neste próximo orçamento e nos seguintes, medidas sociais com algum equilíbrio financeiro", afirmou o candidato, quando questionado sobre as dificuldades de António Costa em negociar o Orçamento do Estado para 2016.


Para Marcelo, o seu otimismo leva-o a prever que "o país vai sair da crise" e que "o governo vai ter sucesso na sua governação", disponibilizando-se, enquanto Presidente, para "ajudar a que tudo corra bem".

"Acho que temos mais hipóteses que isto corra bem em 2016, e nos anos seguintes, do que corra mal", prognosticou.

Em relação às críticas dos seus opositores de não precisar de gastar muito na campanha, aproveitando a notoriedade de comentador televisivo, o antigo dirigente social-democrata apontou para os tempos de crise.


"O doutor Cavaco Silva tinha dez anos de primeiro-ministro quando foi candidato presidencial e depois tinha mais cinco anos de candidato quando foi recandidato", exemplificou Marcelo.


O candidato referiu ainda os casos de Mário Soares e de Freitas do Amaral, que apesar de serem muito conhecidos, apresentaram orçamentos mais elevados.

"Foi noutro tempo, o país não estava em crise. Eu acharia um escândalo apresentar contas parecidas com essas", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa desvalorizou ainda a realização de jogos da I Liga no domingo das eleições, a 24 de janeiro, salientando que "as pessoas têm tempo para ir ao futebol e ir votar".