O Presidente da República escusou-se esta segunda-feira a adiantar a sua posição sobre a lei que permite a mudança de género no registo civil aos 16 anos, argumentando que não pode ter opinião formulada sem analisar o diploma.

Enquanto visitava alfarrabistas e livrarias, na zona do Chiado, em Lisboa, para assinalar o Dia Mundial do Livro, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre as notícias de que tenciona vetar esta lei, aprovada no parlamento no dia 13 de abril, com votos a favor de PS, BE, PEV e PAN e da deputada social-democrata Teresa Leal Coelho, votos contra de PSD e CDS-PP e a abstenção do PCP.

O chefe de Estado disse ter lido as notícias, que não confirmou nem desmentiu.

Pois, eu vi. Vi num jornal. Vi primeiro num jornal diário, depois vi num semanário, depois vi noutro diário", disse. Depois, acrescentou: "Mas, não chegou ainda nenhum diploma, nem há sinais de que chegue esta semana. Portanto, antes de analisar o diploma, não posso ter uma opinião formulada sobre ele".

O diploma em causa, que resulta de uma proposta do Governo e de projetos de lei de BE e PAN, permite que maiores de 16 anos possam alterar o seu género e nome próprio no registo civil, mediante requerimento e sem necessidade de um relatório médico.

Entre os 16 e os 18 anos, este procedimento terá de ser autorizado pelos representantes legais.

Por outro lado, a lei aprovada no dia 13 proíbe intervenções cirúrgicas ou farmacológicas que impliquem alterações do corpo ou características sexuais dos bebés e crianças intersexo, "salvo em situações de comprovado risco para a saúde".

Caso EDP

Questionado sobre o caso EDP, que envolve o antigo ministro da Economia Manuel Pinho, e reiterou que não comenta casos judiciais, mas defendeu que "a justiça rápida é mais justa".

A justiça rápida é mais justa. Uma justiça não rápida não é justa", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta aos jornalistas, durante um percurso a pé na zona do Chiado, em Lisboa, em que visitou alfarrabistas e livrarias, no Dia Mundial do Livro.

O chefe de Estado tinha sido questionado sobre as recentes notícias relacionadas o caso EDP, que envolve o antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, e Manuel Pinho, que foi ministro da Economia no primeiro Governo do PS chefiado por José Sócrates.

Eu não comento casos concretos relativamente à intervenção da justiça. A justiça, quando tem de intervir, intervém", respondeu Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que “aquilo que importa é que intervenha com celeridade".

No seu entender, "o único ponto em que o Presidente se pode pronunciar é este", da rapidez da justiça, e "esse é um ponto que é importante".

É muito importante – mas é na justiça, como é na saúde, como é na educação – que não haja um choque entre as expectativas e a realidade. As expectativas que se criam quando há muitas notícias sobre muitos casos é de que vai haver um processo rápido e uma decisão que não fica para as calendas gregas", sustentou.

O Presidente da República referiu que "a realidade, às vezes, em vários domínios da vida portuguesa, é que se passam meses, anos, às vezes, décadas, e as pessoas, supondo que não morreram ainda, já desesperaram de ver um resultado que corresponda às expectativas".