O Presidente da República reúne-se esta segunda-feira, em Berlim, com a chanceler alemã, num encontro dominado por questões económicas e financeiras, e no qual Marcelo Rebelo de Sousa tentará sensibilizar Angela Merkel para a “injustiça” que seria sancionar Portugal.

No domingo, à chegada à capital da Alemanha para uma visita oficial de dois dias, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que “é muito importante” que a Alemanha, até pela influência que tem no seio da União Europeia, compreenda os esforços e os sacrifícios feitos por Portugal para cumprir os compromissos europeus, reiterando que a aplicação de sanções devido ao défice excessivo seria “injusta”.

Embora sublinhando que “é preciso não confundir a competência dos órgãos europeus com o papel dos Estados”, e que “há decisões que pertencem a órgãos europeus” – como as sanções no quadro dos procedimentos por défice excessivo -, o chefe de Estado admitiu a importância de sensibilizar Berlim para o esforço “que foi feito no passado” e que “está a ser feito no presente e vai ser feito no futuro” em Portugal.

Questionado sobre as posições assumidas na semana passada pelo ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, que durante uma reunião dos ministros das Finanças da UE (Ecofin), em Bruxelas, manifestou a sua oposição ao adiamento de sanções a Portugal e Espanha decidido pela Comissão Europeia, Marcelo Rebelo de Sousa disse não querer comentar “especificamente as declarações de um governante alemão”, dando não entrar “em questões de política interna alemã”.

O Presidente da República admitiu que a estabilidade do sistema financeiro português deverá igualmente “vir à baila” na reunião de segunda-feira com a chanceler alemã, até porque é uma questão “também importante para a Alemanha”.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que “um ponto que inevitavelmente poderá vir à baila é o da importância da estabilidade do sistema financeiro”, sem referir de forma específica os “dossiês” da capitalização da Caixa Geral de Depósitos e o processo de venda do Nova Banco.

“Nos não podemos esquecer que a Alemanha é neste momento um parceiro económico muito importante de Portugal. Nós estamos perante o terceiro destino das nossas exportações, o segundo grande fornecedor da economia portuguesa e um grande investidor direto em Portugal. Portanto, quem é que está interessado na estabilidade do sistema financeiro português? A Alemanha”, disse.

Depois de no domingo à noite ter participado numa receção a representantes da comunidade portuguesa em Berlim, na residência do embaixador, Marcelo Rebelo de Sousa inicia o dia desta segunda-feira com um encontro com o Presidente da República Federal, Joachim Gauck, seguindo-se, às 14:00 locais (13:00 de Lisboa), a reunião com Angela Merkel, no fim da qual não estão previstas declarações da chanceler.

O Presidente da República encerra a visita com uma deslocação ao parlamento federal ("Bundestag"), onde se reunirá com o presidente do Bundestag, Norbert Lammert.