Marcelo Rebelo de Sousa colocou-se, esta noite, várias vezes no papel de Presidente da República. Não o tem feito em público, nem nas entrevistas que dá, tão-pouco frente às câmaras. Fê-lo no programa humorístico da TVI ”Isso é tudo muito bonito, mas”. Será que não é para levar a sério?

Questionado por Ricardo Araújo Pereira sobre a hipótese de trocar o lugar de “influência” nos media por uma cargo como o de Presidente da República, o comentador dominical da TVI colocou-se várias vezes no papel de chefe do Estado.

“A alegria que eu vou dar às pessoas que eu critiquei durante 40 anos”, diz o comentador ao humorista, supondo depois, no decorrer da entrevista: “Se eu avançar e se os portugueses votarem em mim…”.


Deixar o espaço de comentador?


Para Rebelo de Sousa, abandonar o lugar de comentador “é uma das questões” que pesa na sua tomada de decisão. E justifica que se deve “não tanto pelo aspeto do poder, mas pelo aspeto do gozo”. 

“Eu tenho muito gozo em ser comentador. Comecei a ser professor e comentador ainda no antigamente, durante décadas e confesso que me custa muito deixar de ser comentador e deixar de ser professor. Não é tanto o problema do poder”, explicou a Ricardo Araújo Pereira. 

Mas depois há o outro lado do espelho: “A alegria que eu vou dar às pessoas que eu critiquei durante 40 anos. Eu já estou a vê-los todos em fila, nas três estações de televisão, nos jornais, na rádio… a dizerem ‘É uma besta’. ‘O tipo era bom comentador, mas vejam lá, não acerta uma’. ‘Aquele tipo era só falar, falar, mas fazer não faz nada!’ Portanto, para dar esse gozo a essa gente toda… vou pensar duas vezes se é de perder o prazer enorme que tenho em ser comentador.”

Ainda assim, Marcelo aceitou falar de um cenário em que estaria em Belém. Como serão as audiências semanais com um próximo primeiro-ministro? Será apresentado, no período “antes da ordem do dia, “duas ou três dúzias de livros”?, interroga, de sorriso provocador, Araújo Pereira.

Ficámos a saber que Marcelo, se avançar para Belém, dará um exemplar da Constituição da República ao chefe do Executivo.
 

"Tenho sempre comigo uma constituição. E aquilo que me apetecia dar a Pedro Passos Coelho - sendo esse o caso, se eu avançar e se os portugueses votarem em mim - era dar-lhe uma Constituição, na versão originária, assinada por um dos autores. Já viu bem o que vale? Eu fui um dos autores da Constituição. Fomos 250”.


Para o substituir na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa sugere Francisco Louçã. É “uma pessoa que dá notas, um analista” – e, ironiza -, é mais ou menos da mesma área política. O político conta um episódio que se passou com ambos, revelando que acabou por estar de mão dada com o bloquista Francisco Louçã na manifestação que juntou um cordão humano por Timor-Leste em Lisboa, há muitos anos. 

Diz-se que Passos Coelho prefere a candidatura de Rui Rio à de Marcelo, lançou RAP. Mas Marcelo, lembrando o desfecho da eleição à Câmara de Lisboa, na campanha onde tomou banho no rio Tejo e perdeu, garantiu que não entrará na corrida do rio: “Foi uma vez e chegou. Estou vacinado”.