O Presidente da República entregou esta quarta-feira a bandeira nacional ao porta-estandarte dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro naquele que qualificou como "um momento de uma vida" e manifestou a expectativa de um “regresso com medalhas”.

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu a bandeira nacional do comandante do navio escola Sagres, levou-a ao peito e entregou-a ao atleta João Rodrigues, que será o porta-estandarte na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos.

Especial é este momento, é o momento de uma vida, é uma vez na vida que chega ao Brasil a Sagres, que foi recebida do Brasil antes de ser de Portugal e que portanto é luso-brasileira", afirmou o Presidente da República.

O chefe de Estado falava a bordo do navio-escola Sagres na ilha das Cobras, junto da Baía da Guanabara (Rio de Janeiro), que será a "casa de Portugal" durante as olimpíadas.

O presidente afirmou que é "uma vez na vida que os Jogos Olímpicos são realizados por essa grande potência mundial que fala português” e que para Portugal “é mais do que um irmão".

É uma realidade difícil de definir tão forte é aquilo que sentimos no nosso coração, porque é feito de história, de cultura, de sentimentos, de afeto, de vivências comuns", defendeu.

O Presidente manifestou ainda uma “expectativa muito positiva no desempenho dos atletas olímpicos portugueses”: “Entendemos que há da parte portuguesa uma possibilidade de regresso com medalhas”.

"O Presidente República acolherá todos e de forma especial os medalhados, com muito júbilo em Portugal dentro de um mês", anunciou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado sublinhou que, "em principio, todos concorrem para ganhar e por isso não há desigualdade nem discriminação possível", mas destacou que Portugal tem "campeões que o têm provado em provas europeias, mundiais e até em anteriores jogos olímpicos".

Por isso, a expectativa é uma expectativa muito positiva", afirmou.

Este é o primeiro de seis dias de uma visita que o chefe de Estado está a afetuar ao Brasil.

 

Marcelo recusa fazer juízos sobre a política interna do Brasil

O Presidente da República português recusou fazer juízos sobre a política interna do Brasil, sublinhando desejar que aquele país seja “feliz na sua democracia” e elogiando a organização dos Jogos Olímpicos Rio de Janeiro 2016.

Marcelo Rebelo de Sousa será recebido pelo presidente interino do Brasil, Michel Temer, juntamente com todos os outros chefes de Estado que se encontram no Rio de Janeiro para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, numa receção no Palácio do Itamaracy, na sexta-feira, foi hoje divulgado pela Presidência da República.

O chefe de Estado português não formula juízo sobre a política interna de outros Estados, menos ainda de um Estado irmão, aquilo que permanentemente deseja é que esse Estado irmão seja feliz na sua democracia, como Portugal quer ser feliz na sua democracia”, declarou o Presidente quando questionado sobre o momento político brasileiro.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no Rio de Janeiro, a bordo do navio-escola Sagres, após a cerimónia de entrega da bandeira nacional ao atleta João Rodrigues, o porta-estandarte na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos.

Interrogado sobre se evitou encontros políticos nesta viagem, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou: “um chefe de Estado estrangeiro deve evitar envolver-se na política interna de outro Estado e, nesse sentido, deve contribuir para aquilo que é fundamental - criar proximidade entre as nações”.

O Presidente da República fez muitos elogios à organização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro2016 e sublinhou que, “neste momento, a relação entre Brasil e Portugal não podia ser melhor”.

“Ao longo dos anos, da democracia portuguesa e da democracia brasileira, foi possível estreitar laços. Recordo pessoalmente ter vindo como professor de Direito discutir a Constituição democrática portuguesa de 1976 quando o Brasil preparava a sua Constituição democrática de 1988”, declarou.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “o desempenho do Brasil tem sido excecional na organização e no acolhimento destas olimpíadas”.

O Brasil superou as expectativas, ultrapassou as dúvidas e está acolher delegações de todo o mundo e a transformar estas olimpíadas num momento único, num momento inesquecível”, frisou.

O Presidente defendeu que, independentemente das medalhas que os dois países possam ganhar, há “uma realidade que será sempre vencedora – ter sido possível ter os primeiros jogos olímpicos num estado falando a língua portuguesa”.

“Ser este Estado, o Brasil, que é já uma potência mundial, é um motivo de alegria, de orgulho, para nós portugueses e tenho a certeza de que para todos os que integram a comunidade falante do Português”, defendeu.

O Presidente da República considedou que ao longo da "vivência das duas democracias o relacxionamento pessoal, cultural, político, económico e social têm sido o melhor".

"Prova disso, é o peso da comunidade brasileira em Portugal, a maior comunidade não portuguesa em território português, prova disso é o aumento de pedidos de nacionalidade portuguesa por irmãos brasileiros nos últimos anos", ilustrou.

Marcelo Rebelo de sousa enfatizou também o relacionamento cultural entre os dois países que se manifestará na maior presença portuguesa de na Bienal de São Paulo que se realiza em setembro.

o chefe de Estado apontou também para o relacionamento comercial entre os dois países e para o facto de "Portugal ser um embaixador e defensor do acordo com a União Europeia e o Mercosul.