O Presidente da República e o rei de Marrocos encontraram-se esta segunda-feira pela primeira vez, em Casablanca, e receberam um do outro as mais altas condecorações atribuídas pelos respetivos países a chefes de Estado estrangeiros.

O encontro entre os dois chefes de Estado realizou-se no Palácio Real de Casablanca e durou cerca de uma hora, terminando pouco depois das 18:00 (19:00 em Lisboa).

No final, Marcelo Rebelo de Sousa entregou a Mohamed VI o Grande-Colar da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada - a mesma condecoração que o seu pai, Hassan II, recebeu de Mário Soares, numa visita a Lisboa, em 1993.

Por sua vez, o rei de Marrocos atribuiu ao Presidente português o Grande-Colar da Ordem de Wissam Al-Mohammadi.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou a Casablanca pelas 15:40 (16:40 em Lisboa), num Falcon da Força Aérea, acompanhado pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro.

No aeroporto, estava à sua espera o primeiro-ministro marroquino, Abdelilah Benkirane.

O chefe de Estado português seguiu para o Palácio Real, onde foi recebido pelo rei Mohamed VI e pelo príncipe Rachid, numa cerimónia com honras militares, em que esteve presente o Governo marroquino em peso.

Perante dezenas de elementos da guarda real, trajados de branco, com chapéus azuis, ouviram-se os hinos nacionais de Portugal e de Marrocos, com os dois chefes de Estado lado a lado, numa tribuna real.

Depois, Marcelo Rebelo de Sousa e Mohamed VI seguiram a pé para um encontro a sós, nas instalações do palácio.

Avanço nas relações com Marrocos e convite ao rei para visitar Portugal 

Marcelo Reebelo de Sousa considerou esta segunda-feira que as relações bilaterais com Marrocos "podem conhecer um avanço significativo" em domínios como a energia e anunciou ter convidado o rei Mohamed VI a visitar Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas num hotel de Casablanca, onde se encontrava desde esta segunda-feira à tarde, numa curta visita, de cerca de oito horas, ao Reino de Marrocos, preenchida com encontros institucionais.

Referindo-se ao encontro a sós que teve com o rei de Marrocos, no Palácio Real de Casablanca, durante cerca de uma hora, o chefe de Estado disse que essa reunião foi centrada, "sobretudo, no domínio das relações bilaterais".

"Foi recentemente celebrado um acordo energético importante, que pode permitir o fornecimento de energia por Portugal a Marrocos", destacou.

Em causa está um projeto de construção de uma interligação que permita exportar e importar eletricidade, através de um cabo submarino entre os dois países.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, existe neste momento "uma aproximação entre governos, de que o acordo no domínio da energia é um exemplo".

O Presidente da República considerou que "há outros domínios de colaboração possível: cultural, económica, empresarial", concluindo: "Essas relações bilaterais podem conhecer um avanço significativo".

Marcelo Rebelo de Sousa ressalvou que "a função do Presidente da República não é substituir-se ao Governo, mas abrir um caminho de diálogo", e salientou que "vai haver eleições daqui a poucos meses" em Marrocos.

"Nesse sentido, aquilo que começar a ser tratado agora pode ter sequência no futuro, e esperamos que possa ter sequência no futuro", acrescentou.

Nestas declarações aos jornalistas, o chefe de Estado informou que, quando tomou posse, a 09 de março, tinha escolhido fazer as suas "primeiras visitas de cumprimentos" ao Vaticano, a Espanha e a Marrocos.

Contudo, o rei Mohamed V encontrava-se "em visita oficial pelo mundo", com passagem por países como a Rússia e a China, "portanto, houve que adiar uns meses esse primeiro contacto", justificou.

"Na primeira ocasião em que o rei de Marrocos teve disponibilidade para concretizar a visita, ela foi feita", acrescentou.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que o rei de Marrocos abriu "uma exceção" ao recebê-lo em pleno Ramadão, "por entender que havia temas importantes sobre os quais era fundamental trocar impressões".

No plano europeu, o Presidente da República defendeu que "o flanco sul" merece mais atenção: "A Europa muitas vezes olha para leste, por exemplo, e não olha para sul, e não olha para o continente africano".

"E aqui houve pontos de encontro, porque Portugal tem relações com os países de língua portuguesa, e Marrocos está presente em vários estados da África Ocidental em termos de apoio de projetos concretos, inclusive na Guiné-Bissau e na Costa do Marfim. Portanto, aqui há cruzamentos de interesses e interesses comuns a desenvolver", disse.

Ainda sobre as relações bilaterais, o Presidente da República referiu que os dois países estão "em diversificação em termos económicos" e que Marrocos "está a aprofundar as relações com a China, por exemplo, com os países do Golfo também", o que considerou "importante para Portugal".