Nas cerimónias do Dia de Portugal que continuam a decorrer em França, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou a total unanimidade que há hoje em dia em torno do reconhecimento da emigração portuguesa.

O Presidente da República não poupou nos elogios ao país e disse mesmo que "os melhores somos nós!"

Verdadeiramente grande país só há um: é Portugal. Os melhores somos nós!"

 

 

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, fez um discurso de exaltação nacional no lugar do antigo bairro de lata de Champigny-sur-Marne. 

 

Sendo a França um grande país, porque é um grande país, verdadeiramente grande país só há um: é Portugal. Os melhores somos nós. A França é excecional, mas nós somos muito melhores, mas muito melhores", afirmou o chefe de Estado, perante centenas de emigrantes portugueses e lusodescendentes, numa cerimónia de homenagem ao antigo autarca de Champigny Louis Talamoni.

O Presidente da República e o primeiro-ministro visitaram o lugar do antigo 'Bidonville', o bairro de lata português de Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris, onde milhares de emigrantes viveram nos anos 60 e 70.

Este município a sudeste da capital francesa foi um dos palcos das comemorações do Dia de Portugal, que se prolongam até domingo, em França, depois da cerimónia militar no Terreiro do Paço, em Lisboa, na sexta-feira de manhã, e da celebração na Câmara de Paris, ao final do dia, com o Presidente francês.

 

 

Em Champigny, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa discursaram durante a cerimónia de inauguração de um monumento em homenagem ao antigo autarca comunista francês, Louis Talamoni, e houve nova atribuição de condecorações, desta vez a personalidades da emigração portuguesa em Paris.

Louis Talamoni foi condecorado a título póstumo com o grau de comendador da Ordem da Liberdade, pela sua determinação na melhoria das condições dos portugueses que viviam no bairro de lata, providenciando o saneamento, serviços de água e eletricidade e a escolarização das crianças.

O grau de comendador da Ordem de Mérito foi atribuído ao atual presidente da Câmara de Champigny, Dominique Adenot, ao empresário Valdemar Francisco, de 62 anos, e ao provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paris, Joaquim Silva Sousa.

O fotógrafo Gérald Bloncourt, que retratou os bairros de lata portugueses em França nos anos 60 e 70, nascido no Haiti há 89 anos, mas com nacionalidade francesa, recebeu o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

O empresário Manuel Cândido Faria, que chegou a França com 12 anos e hoje vive dos rendimentos do património que construiu, foi agraciado com o grau de oficial da Ordem de Mérito.

Antes desta cerimónia em Champigny, o Presidente e o primeiro-ministro passaram por Créteil, outro município a sudeste de Paris, para a inauguração de uma rotunda com o nome de Armando Lopes, presidente da Rádio Alfa. É a primeira placa toponímica de um português vivo, em França.

O "otimista" e o "hiperotimista"

O primeiro-ministro, António Costa, riu-se quando Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que Portugal é o melhor "no futebol, na ciência, nas artes, na cultura, nas empresas, no trabalho" e que os dois se batem contra o pessimismo e se complementam: "Compensamo-nos, porque eu sou hiperativo, ele é hiperoptimista".

Às vezes um ego um bocadinho pequenino, não temos um amor próprio suficiente, não temos a autoestima que é necessária. Eu sou um otimista, o senhor primeiro-ministro então esse é hiperotimista", considerou o Presidente da República, defendendo que os portugueses devem ter noção das suas qualidades.

Marcelo Rebelo de Sousa citou ainda um discurso do imperador francês Napoleão, em que este expressava contentamento com os seus soldados. "Eu estou orgulhoso dos meus concidadãos, o que é muito mais do que estar contente. Eu tenho orgulho em ser português", acrescentou.

"Dias de Portugal" em França terminam com jantar com a Seleção

Depois, juntamente com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, almoçam com individualidades portuguesas, na Embaixada de Portugal.

À tarde, o programa inclui uma homenagem aos militares portugueses que morreram na I Grande Guerra, no Cemitério Militar de Richebourg, situado a 80 quilómetros para leste de Paris, antes de um jantar com a seleção portuguesa de futebol.

Esse encontro acontecerá no centro de treinos da seleção, que fica cerca de 30 quilómetros a sul de Paris, três dias antes de Portugal se estrear no Euro 2016 de França, num jogo contra a Islândia, em Saint-Étienne.