O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, voltou a escusar-se a comentar o furto de material de guerra nos paióis de Tancos, considerando que este “não é o momento ainda” para se pronunciar sobre o tema.

Eu já disse que no momento em que entendesse adequado, falaria. Não é este o momento adequado por duas razões: primeiro porque estou fora do território português, e não comento fora do território português realidades da vida política portuguesa; em segundo lugar, porque não é o momento ainda para, com base nas informações que vou recebendo, me pronunciar sobre a matéria”, disse, em Bruxelas.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que terá oportunidade de comentar o assunto “numa altura adequada”, mas sublinhou que a sua presença este sábado em Bruxelas visou participar num evento para “promover a imagem da agricultura e dos agricultores portugueses”.

O Presidente da República visitou, acompanhado da presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, o evento “O Melhor de Portugal”, uma mostra de produtos agroalimentares organizada pelo eurodeputado Nuno Melo e pela Confederação de Agricultores de Portugal (CAP).

Perante a insistência dos jornalistas para que abordasse o assunto, enquanto comandante supremo das Forças Armadas, declarou que “há momentos e momentos para o Presidente da República falar dos temas, e quem escolhe os momentos é o Presidente da República”.

O Exército revelou na sexta-feira que entre o material de guerra furtado na quarta-feira dos Paióis Nacionais de Tancos estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, mas não divulgou quantidades.

"Para além das granadas de mão ofensivas e das munições de 9 mm, foram também detetadas as faltas de granadas foguete anticarro, granadas de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores, como bobines de arame, disparadores e iniciadores", indicou o Exército.

O chefe do Estado-Maior do Exército admitiu que terá havido uma fuga de informação, frisando que os planos de segurança e vigilância foram cumpridos.

O ministro da Defesa assumiu hoje a "responsabilidade política" pelo roubo, depois de os partidos políticos terem criticado o sucedido, com o CDS-PP a exigir a audição parlamentar de Azeredo Lopes e o PSD a pedir também para ser ouvido o general Rovisco Duarte.