O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anteviu esta quinta-feira que contará ao longo do mandato com “muitos sucessos políticos” do líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a quem elogiou as “qualidades invulgares”.

Luís Montenegro e o empresário Rui Nabeiro foram esta quinta-feira agraciados pela Câmara de Espinho, na presença do chefe de Estado, que os classificou como “pessoas de bem, gente de bem” e “isso é o fundamental”.

Ao líder parlamentar social-democrata, o chefe de Estado apontou “qualidades políticas, qualidades de inteligência, de competência, de lealdade em relação àqueles que em cada momento representam as instituições que serve”, mas também “qualidades de proximidade”.

“E essas qualidades são qualidades invulgares e portanto não pode nem deve o Presidente da República substituir-se ao papel daqueles que têm por função prever o futuro de quem anda na ribalta da política, mas cabe ao Presidente da República registar com alegria o poder contar certamente ao longo do seu mandato com muitos sucessos políticos de Luís Montenegro”, frisou.

Marcelo valorizou o “percurso cívico e político assinalável” do presidente da bancada laranja: “Não fica mal ao Presidente da República, que tem demonstrado à saciedade o seu espírito ecuménico e a sua abertura a todos os quadrantes, não fica mal o reconhecer, e reconhecer na base daquilo que é a sua experiência pessoal, não é apenas de ouvido, de visto à distância, o que é o empenhamento cívico e o que é o talento político de dr. Luís Montenegro”, afirmou.

Para Marcelo, “é mais fácil construir uma sociedade em que seja possível conviver, em que seja possível estar próximo, deixar falar os afetos com gente de bem”, sendo os dois homenageados “gente de bem”.

“Essas qualidades humanas são ainda bem mais importantes do que as qualidades económicas, sociais, cívicas ou politicas, são elas que marcam verdadeiramente o que depois fica”, sustentou.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o papel do Chefe de Estado é, “mesmo em situações mais complexas”, o de valorizar o país, afirmando que “Portugal vale a pena”.

“O papel do Presidente da República, às vezes considerado como otimista, embora não irritantemente otimista, apenas serena e realisticamente otimista, é também esse, é o de, mesmo nas situações mais complexas, chamar a atenção para o que há de muito bom em Portugal, porque nós temos em Portugal muito de muito bom”, afirmou Marcelo em Espinho, distrito de Aveiro, na cerimónia comemorativa dos 43 anos do concelho.

Num discurso afetivo, Marcelo referiu que, “no meio de todos os problemas”, o que o anima como Presidente da Republica é, diariamente, fazer um balanço positivo do que presenciou e das pessoas com quem conviveu.

“Ao fim do dia, quando faço o balanço e olho para os problemas que tive que equacionar, ou de enfrentar ou de apreciar, digo: mas ao lado disto o que eu vi de gente espetacular, de projetos espetaculares, de gente que está a avançar e a ter êxito, de projetos que vão ter êxito, o país vale a pena, Portugal vale a pena e é por isso que me sinto tão feliz por estar aqui hoje convosco”, afirmou.

Para o Chefe de Estado, o “muito bom não apaga os problemas, não afasta as dificuldades, não deve servir para ocultar a noção da realidade, mas é motivador, é mobilizador”.

Marcelo destacou ainda a sabedoria do povo português, que “já viu tudo e já viveu tudo”, mas que consegue olhar para o futuro.

“Conseguimos ao mesmo tempo ter esta história e ter futuro e olhamos para o que há aí de gente, os homenageados e os que estão aí, com extrema qualidade e competência (…).Temos essa sabedoria, o nosso povo tem essa sabedoria”, disse.

No seu discurso, Marcelo disse ainda que vai regressar ao concelho, “não tanto para mergulhar [no mar], que é cada vez mais complexo poder mergulhar sem haver uma câmara indiscreta a acompanhar o mínimo passo da vida de um PR, mas sobretudo para mergulhar nos encantos de Espinho”, na sua juventude e no “projeto futuro que é Espinho e que é simbólico do projeto de Portugal”.