Se hoje o primeiro-ministro disse ser  "péssima" a solução do Banco de Portugal de passar as obrigações séniores do Novo Banco para o BES tóxico, o candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa fugiu aos adjetivos para classificar a situação, mas deu a entender que, se for eleito, estará do lado do Governo naquilo que ele entender fazer. Tal como já deu a mão a António Costa, por antecipação, no que toca ao Orçamento do Estado para 2016.

“Já tive ocasião de dizer que o governo tem um papel fundamental na estabilização do sistema financeiro e, portanto, que compete ao governo ir acompanhando muito de perto o que se passa no Banco de Portugal neste processo, como noutros processos", começou por dizer aos jornalistas, depois de uma visita à CERCINA, o centro de atividades aquáticas adaptadas da Nazaré, onde andou num barquinho à vela.

Depois, foi mais direto. Se estiver ao leme do mais alto cargo da nação, navegará com Costa neste dossiê. 

"Aquilo que o Governo entender que deve ser feito, nessa estabilidade do sistema financeiro, se for eleito, daqui a poucos dias, não deixarei de secundar aquilo que o Governo considerar fundamental fazer”

Ao mesmo tempo, fez notar que o dossiê Novo Banco "será certamente um dos primeiros temas" que António Costa quererá levar a Belém. 

Ora, sabe-se que a relação do Governo PS com o governador do Banco de Portugal não tem aparentado ser propriamente a melhor. O governador foi reconduzido pelo anterior Governo PSD/CDS-PP, o que foi na altura muito criticado pela oposição. Carlos Costa, recorde-se, foi nomeado pela primeira vez ainda no Executivo de José Sócrates. 

Marcelo, que é ex-líder do PSD, sublinhou que o caso Novo Banco é uma matéria sobre a qual se deve fazer "o mínimo de especulação e de agitação". Imaginando-se já na figura de chefe de Estado, defendeu que o papel a assumir é garantir a confiança dos investidores no sistema financeiro "cá dentro e lá fora".

Hoje, que Costa e Passos estiveram reunidos em privado, no Parlamento, Marcelo Rebelo de Sousa considerou essa "aproximação natural". Disse mais até: "Muito boa, são dois protagonistas fundamentais na política portuguesa" e é importante que falem no sentido de "consensos de regime". O candidato tem, de resto, enfatizado muito esta expressão durante a campanha. "Vão ter de falar de muita coisa, nem quero imaginar quais, mas muitas coisas"

O candidato aproveitou para comentar outra "boa notícia", congratulando-se com a "aproximação de posições" entre o atual Governo e os investidores da TAP.