A antiga ministra das Finanças continua a acreditar que o novo presidente do PSD vai "recentrar o partido, com uma visão mais social-democrata" e considera serem irrelevantes casos, como os da escolha de Elina Fraga para vice-presidente ou a fraca votação, esta quinta-feira, de Fernando Negrão como líder parlamentar.

Isso [Elina Fraga] é um assunto que não me preocupa. Na forma como vejo o futuro do partido e o futuro da liderança. Vamos ver quem são so herdeiros do Passismo, mas a mime não me preocupam as posições individuais", afirmou Ferreira Leite na 21.ª Hora da TVI24.

Para a antiga ministra, nem a fraca votação de Fernando Negrão no Parlamento é um sinal de alarme. Antes deriva da constituição da própria bancada.

Penso que não é nada de inesperado. Não há surpresa. A bancada parlamentar foi constituída pelo anterior líder, Passos Coelho. Não é uma bancada afeta ao Rui Rio. Não seria de esperar qualquer outra solução, a não ser que tivesse havido uma cambalhota e fossem todos agora do Rui Rio", acrescentou Manuela Ferreira Leite.

A comentadora, militante e antiga presidente social-democrata, alerta, contudo, que os deputados "estão lá em representação das pessoas e não das suas simpatias pessoais".

Se houvesse uma rebelião ideológica, digamos assim, em termos de bancada, isso iria contra os regulamentos", afirmou Ferreira Leite, lembrando que, nesta altura da legislatura, "cada deputado vai começar a trabalhar para ver se entra nas próximas listas de deputados e não para sair delas".

"Grande obra na área social"

Apoiante de Rui Rio na corrida à presidência do PSD, Manuela Ferreira Leite espera do antigo autarca portuense "muitas mudanças de sentido bastante profundo, não só na forma de orientar o partido e de fazer oposição, como espero mudanças no próprio comportamnto do Governo".

Espero que se faça efetivamente oposição e que seja, como é timbre do dr, Rui Rio, uma oposição séria, competente, vigorosa, sem desistências, com objetivos bem marcados e um plano bem definido", desejou Ferreira Leite.

A antiga ministra acha que Rio tem "ideias de recentrar o partido, com uma visão mais social-democrata do que a orientação dos últimos anos", algo que, segundo a própria, o autarca "fez nos 12 anos em que esteve no Porto".

Fez uma gestão financeira que considero notável e a grande obra dele foi na área social", considerou Manuela Ferreira Leite.

"Agarrado aos partidos de esquerda"

Na ótica de Manuela Ferreira Leite, Rui Rio vai obrigar o PS a definir-se politicamente. O exemplo da mobilização de inspetores das Finanças para verificarem os decontos e rendimentos dos portugueses que mais declaram, mostra, segundo a antiga ministra, que os socialistas estão reféns dos parceiros à sua esquerda que apoiam o Governo.

O Governo tem apresentado resutados, mas não podemos esquecer que não chega apresentar resultados. Porque são, em parte, de medidas tomadas pelo Governo, e outra parte que depende da situação económica envolvente que é excecional", frisou Ferreira Leite.

Considerando que "o que é de tal forma excecional não é duradouro", a comentadora acha ser necessário definir "o que é que o governo se prepara para fazer caso isto mude. Voltamos ao tempo anterior?". Algo que a presença de Rui Rio, na sua opinião, vai conseguir.

A partir de agora o PS vai ter de dizer o que está a fazer. Porque não tinha interlocutores. Agora, vai ter de dizer se não faz, porque não quer ou porque não pode". "Por estar agarrado aos partidos de esquerda", segundo Ferreira Leite.