O membro do Conselho de Estado Manuel Alegre condenou esta quinta-feira as declarações do primeiro-ministro espanhol sobre o processo de formação do Governo em Portugal, considerando que se tratou de "inaceitável ingerência" de Mariano Rajoy nos assuntos nacionais.

Esta posição de Manuel Alegre foi transmitida à agência Lusa depois de o presidente do Governo espanhol ter afirmado que uma coligação de esquerda em Portugal, entre o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP, "seria negativo para os interesses de todos", e "não respeitaria" a vontade dos portugueses.

Perante estas palavras, o "histórico" dirigente socialista vincou que "o primeiro-ministro de Espanha não tem que se pronunciar sobre os assuntos políticos internos portugueses".

"Cabe aos representantes eleitos pelo povo português escolher o Governo de Portugal", contrapôs Manuel Alegre.


Manuel Alegre considerou depois que as declarações de Mariano Rajoy constituíram "uma ingerência inaceitável e prejudicial às relações entre os dois países".

"As relações entre Portugal e Espanha devem estar para além das conjunturas políticas e das divergências ideológicas", defendeu o membro do Conselho de Estado.

Esta quinta-feira, em Madrid, Mariano Rajoy disse esperar que "as coisas [em Portugal] resultem razoavelmente".

"Seria a primeira vez na História - desde que a democracia regressou a Portugal - que não governaria o partido que ganhou as eleições. Uma coligação entre o Partido Socialista, o Podemos de lá [Portugal] e o Partido Comunista seria muito negativo para os interesses de todos. E sobretudo não respeitaria o que disseram os cidadãos", afirmou Mariano Rajoy à entrada para o último dia de Congresso do Partido Popular Europeu.