Mais de 200 bolseiros de investigação científica concentraram-se perto da residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, para exigir a demissão do Governo.

Os manifestantes, que começaram por estar concentrados em frente à sede da Fundação para a Ciência e Tecnologia, na avenida D. Carlos I, contestam o corte na atribuição de bolsas de doutoramento o pós-doutoramento.

De acordo com os resultados divulgados na semana passada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), no concurso de 2013, foram atribuídas menos 900 bolsas individuais de doutoramento e menos 444 bolsas de pós-doutoramento, totalizando uma redução 1.344.

Os manifestantes gritam palavras de ordem como «Corte na ciência, país na falência», «Portugal sem ciência, país se futuro», «Crato otário, queremos um salário», «Passos escuta, os bolseiros estão em luta», além de «Demissão, demissão, demissão».

Quatro dos participantes na manifestação carregam um caixão improvisado em madeira, onde se pode ler «Aqui jaz a ciência».

Depois da concentração perto da residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, os bolseiros vão regressar à sede da Fundação para a Ciência e Tecnologia, onde começou o protesto, para exigir respostas sobre os cortes nas bolsas.

PSD confia que não há cortes nas bolsas, mas investimento diferente em ciência

O deputado do PSD Duarte Marques manifestou-se convicto de que não há cortes nas bolsas de doutoramento e outras pós-graduações, mas antes uma forma diferente de o Estado investir em ciência.

«O PSD acabou de viabilizar (proposta do BE) na comissão de Educação a vinda, o mais urgente possível, do presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). O objetivo é esclarecer toda esta situação à volta dos cortes nas bolsas, mas também explicar qual é a alteração de paradigma de investimento em ciência», afirmou, nos Passos Perdidos do Parlamento.

Duarte Marques quer ver demonstrado «que não é um corte do investimento em ciência, mas uma alteração dos instrumentos de investimento em ciência, visto o orçamento para este ano ser até superior aos de anos anteriores».

«Se essa alteração de paradigma for positiva, que pode significar menos bolsas, mas mais investimento em projetos e em instituições, saem todos a ganhar na comunidade científica. Não estamos aqui a assistir apenas a um corte em bolsas, mas a uma alteração da forma de investir em ciência», defendeu.