O ministro da Defesa reconheceu hoje o direito de os polícias se manifestarem, mas advertiu que os sacrifícios pedidos aos portugueses são transversais e que em matéria de salários e pensões não pode haver tratamento diferenciado.

«Entre dois portugueses que têm sofrido um corte salarial ou um problema de afetação de uma reforma, o facto de ser um português militar, um polícia ou professor não pode ter um tratamento diferenciado como é óbvio, porque somos todos iguais nessa situação», afirmou Aguiar-Branco.

O ministro falava aos jornalistas no final de uma visita ao Colégio Militar, Lisboa, após questionado sobre se as revindicações das forças de segurança, que se manifestaram quinta-feira frente ao Parlamento, serão ouvidas pelo Governo.

Questionado sobre se os polícias podem ter a expectativa de que as suas reivindicações sejam ouvidas pelo Governo, José Pedro Aguiar-Branco afirmou que «a questão é transversal» e atinge todos os setores, não estando «focalizada num setor» em particular, seja «polícias ou militares», considerando que deve haver «solidariedade» no que toca às exigências «para ultrapassar a crise».

«A realidade é que foi pedido a todos os portugueses durante este período muito difícil da história de Portugal sacrifícios que são transversais. Por isso é importante que em cada um dos nossos setores compreendamos que não há uma lógica pessoalmente focalizada. Há situações que são transversais», afirmou.

O ministro começou por afirmar que existe na Constituição e na lei o «direito à manifestação, seja de 15 mil, seja de 2 mil, seja de 50 mil» contrapondo que «o Governo tem de governar numa situação difícil que o país atravessou desde há dois anos para poder, de forma transversal, ultrapassar as graves dificuldades com que se debateu desde o processo de ajustamento».

«Todos nós sofremos sacrifícios nestes dois anos e meio», afirmou, acrescentando que o «governo compreende que há situações muito duras» mas «está a trabalhar para que todos os portugueses tenham uma razão maior de otimismo para a frente do que tinham há dois anos e meio».

Questionado sobre a forma como decorreu a manifestação, Aguiar-Branco considerou que «foi uma situação que foi exercitada dentro da normalidade», apesar de ter havido «um momento mais tenso».

Sobre a possibilidade de os militares também se manifestarem, o ministro da Defesa afirmou que «ninguém pode temer o exercício cívico de direitos constitucionalmente consagrados» e que o Governo não teme a crítica.

Milhares de elementos das forças e serviços de segurança manifestaram-se na quinta-feira frente ao parlamento, numa ação de protesto contra os cortes salariais, em que a tensão foi elevada, com manifestantes a conseguirem invadir parte da escadaria da Assembleia.

Durante os protestos, foram registados 10 feridos e dois guardas prisionais foram identificadas por desacatos.