O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse que com a morte do líder histórico sul-africano Nelson Mandela, na quinta-feira, «o mundo perdeu uma das suas personalidades mais fascinantes».

«Eu julgo que o mundo perde uma das suas personalidades mais fascinantes, um homem que sofreu, que teve 20 anos de prisão que foi perseguido e não teve qualquer sentimento de vingança. Pelo contrário, era um homem profundamente humano, com uma mensagem de paz e perdão para todos», declarou o governante madeirense, recordando os dois encontros que manteve com o líder africano.

Jardim mencionou que a primeira vez que esteve com Nelson Mandela este ainda não era Presidente da República da África do Sul, acompanhado por um empresário madeirense ligado ao desporto, João Canha.

«Confesso que ia com uma certa apreensão, não sabia qual a reação de um homem que tinha passado o que ele tinha passado, tinha que lhe explicar as posições da comunidade portuguesa», salientou, acrescentando que foi recebido «o mais cordialmente possível, com um grande abraço».

Jardim destacou também a mensagem que Nelson Mandela lhe transmitiu nessa altura: «Você tem de dizer à comunidade portuguesa que fique porque é fundamental no domínio do comércio, abastecimento e transportes».

E, segundo o responsável madeirense, «a África do Sul não pode perder tempo com revanchismos, tem que acertar, tem que ter sucesso, porque se a África do Sul falhar a África ao sul do Saara está toda comprometida».

Quanto ao segundo encontro que manteve dom Mandela, o responsável do executivo regional disse que aconteceu já depois deste se ter retirado, na casa que tinha longe de Joanesburgo e Pretória, acompanhado pelo empresário Horário Roque (já falecido).

«Fomos visitá-lo e foi a sensação de conversar com um homem que estava feliz, realizado, que sentia que tinha cumprido a sua missão e que, sobretudo, olhava para o mundo com muita esperança¿, frisou Alberto João Jardim, sublinhando: ¿A última imagem que tenho dele é a conversa, que é uma mensagem de esperança para o mundo».

Instado a pronunciar-se sobre a época pós-Mandela, o governante considerou que «correu muito bem» e que depois de Thabo Mbeki [presidente entre 1999 e 2008] «a África do Sul está num caminho de equilíbrio e tolerância».

¿Obviamente teve problemas de criminalidade que estão minorados, mas também os Estados Unidos têm problemas de criminalidade tão graves como a África do Sul e ninguém fala nisso todos os dias¿, argumentou.

Questionado sobre a influência de Mandela na sua vida política, o líder madeirense declarou: «Quando falamos com homens que nos dizem coisas que tocam cá dentro, marcam (¿), é fundamental para marcar a nossa maneira de ser e a nossa formação pessoal».

A maioria dos cerca de 400 mil portugueses que vivem na África do Sul são de origem madeirense.