Era a vez de Jorge Coelho discursar no almoço-comício do PS em Setúbal, numa praça com vários restaurantes e cheiro a peixe grelhado. Uma amiga sua pediu para intervir e começou a mexer no telemóvel, sem falar. A plateia algo incrédula aguardava. A mulher e apoiante socialista queria que o telemóvel captasse uma canção, para falar de "sentimentos" e "sofrimento". Não conseguiu, mas isso não a coibiu de continuar. 

"Talvez o som não vos chegue aí. É  a canção que Pedro Abrunhosa fez dedicada às mães cujos filhos emigraram. Quero dizer que há um distado popular, já a minha avó dizia, que é "quem os nossos filhos beija, nossa boca adoça" e o que é que este governo fez, principalmente Passos Coelho?", começou por perguntar, em tom de constatação, mostrando-se "indignada" com as mães deste país que ainda ponderam votar na coligação.

O seu filho também emigrou. Para a China. Voltou no dia 19 de setembro, a um dia do arranque da campanha oficial, para casar. E regressar de novo ao pais onde agora vive e trabalha. 

"Não venho falar de números, venho falar de sentimentos. Eu venho falar de sofrimento, A festa linda no sábado, no domingo todos exaustos, na segunda estávamos nervosos". E na terça, ele e a esposa partiram. 

Houve também tempo para atacar Paulo Portas, dizendo que vem atrás de Passos para  "atirar os foguetes, apanhar as canas, para fazer a festa e para dizer aquilo que o outro não consegue dizer".

E de novo o primeiro-ministro como alvo: " Não tem rosto. Não tem cara. Não tem sorriso, É um homem incapaz. Quando alguém o aborda pela falta de medicamentos diz, 'tenha calma, minha senhora, porque com o nosso governo e da maneira que o país está daqui a uns tempos a senhora vai ter todos os medicamentos do mundo", ironizou.