O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou este sábado que «o problema em Portugal é adiar os problemas», insistindo que sem «mudanças substanciais o país não vai a parte alguma».

Jardim falava na inauguração do novo hotel do Grupo Pestana no Porto Santo, o maior investimento privado naquela ilha, e salientou que «momento difíceis» foram sempre vividos na história do país.

«Não vale a pena estarmos aqui a adiar problemas (...) o problema em Portugal é que se adiam os problemas», declarou o governante insular, realçando: «com o presente quadro político-institucional, a presente classe política, a limitação um pouco provinciana que temos do estado europeu (...) não vamos a parte alguma».

Segundo o líder madeirense, Portugal «está limitado na sua capacidade de exercer pressão, de exercer presença».

Mais uma vez o governante insular insistiu que «são precisas mudanças substanciais neste país e a cada dia que corre sem haver a coragem de fazer a mudança que é preciso fazer o país vai regredindo», sustentando que Portugal tem «gente que pode levar este país para a frente».

«Toda a nossa história é feita de ciclos maus e depois de ciclos de recuperação, houve sempre o génio português que deu aos portugueses a capacidade de recuperar», frisou.

O presidente do executivo madeirense salientou que «o milagre da recuperação» da unidade hoteleira hoje inaugurada é disso prova e realçou que o empresário Dionísio Pestana «faz parte da história da autonomia» da Madeira.

Destacou também a intervenção da SS Capital, que «decidiu recuperar uma série de investimentos que à primeira vista pareciam condenados (...) e está a prestar um grande serviço ao país, principalmente devido à conjuntura que estamos a atravessar».

A unidade hoje inaugurada, que no primeiro ano abre com 100 quartos, representou um investimento inicial de mais de 100 milhões de euros, mas a obra parou devido às dificuldades financeiras do promotor inicial,

Para colocar o hotel a funcionar a ECS Capital, que ficou com o património destes ativos que estavam na banca depois do promotor inicial, a Sociedade Imobiliária e Turística do Campo de Baixo (SITCB), detida maioritariamente pelo Grupo Empresarial Siram, SGPS, ter sido declarada insolvente, investiu 10 milhões de euros.

O empresário Dionísio Pestana mencionou que o problema daquele hotel foi terem surgido «uns empresários especulativos que entraram num negócio de que não percebiam nada e fizeram investimentos malucos», existindo casos semelhantes em outros locais, como o Algarve.

Dionísio Pestana considerou que o setor do turismo em Portugal «tem pernas para andar», sustentando que «deve ser mais competitivo», o que passa por reduzir a burocracia.

«Ultrapassando isto, Portugal tem condições fantásticas para crescer, não pode ser complicando o investidor e olhando-o como inimigo», disse, perspetivando que nos próximos anos o país vai assistir «a uma grande evolução pró-ativa para o investimento e crescer no setor» e considerou que 2013 «sido um dos melhores anos nos últimos dez».

O Pestana Colombos Premium Club é o segundo hotel do grupo na ilha do Porto Santo que, segundo Dionísio Pestana, regista uma ocupação superior a 90 por cento.