O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, insistiu este domingo na necessidade de rever a Constituição da República, no seu entender «faliu» e criticou os políticos da direita e da esquerda que «não querem mudar o país».

«Não posso aceitar um país que, em vez de se mudar o Estado, uma constituição que faliu, que com o tempo se provou, como já Sá Carneiro dizia, que não é adequada ao país. Estamos numa situação que nem a direita, nem a esquerda se mexem para mudar o país», afirmou Jardim no encerramento do XXX Festival Regional de Folclore «48 horas a Bailar», que decorreu este fim-de-semana, na cidade de Santana, no norte da Madeira.

O governante subiu ao palco e pediu salvas de palmas para as entidades envolvidas na organização do evento, incluindo o presidente da câmara municipal da localidade, que pela primeira vez é governada pelo CDS, Teófilo Cunha.

O líder madeirense afirmou discordar da «atual situação em que o país se encontra», acrescentado não poder «aceitar uma política em que são os países ricos da Europa a impor os caminhos» a Portugal.

«Mas nós madeirenses, independentemente das cores políticas de cada um, somos diferentes, estes anos demonstraram que sabemos o que queremos, que sabemos fazer as mudanças que são necessárias e como portugueses temos o direito de também querer mudar Portugal», declarou o chefe do executivo insular.

Jardim sublinhou que «apesar dos atropelos e obstáculos pela frente», a Madeira «não vai desistir».

O responsável regional criticou a «política errada de cortes nos salários e pensões», censurando a «esquerda que vai para a rua fazer barulho» e os «sindicalistas que vivem só de fazer manifestações» mas não estão dispostos a fazer as mudanças que, considera, serem necessárias em Portugal.

«Nós, madeirenses queremos mudar (...), ninguém vai desistir, é esse o nosso compromisso com o povo. Cantemos e bailemos, ganhemos força com esses bailes para, de mãos dadas, continuar a autonomia da Madeira», disse.