O PSD pediu hoje ao PS para apresentar as suas propostas para resolver os problemas no Banco Espírito Santo (BES), ao passo que os socialistas advogaram que as «campainhas de alarme» sobre o banco já soavam há «muito tempo».

«Chegam à demagogia de virem com a ladainha que estamos a ajudar os banqueiros, os poderosos, quando nós isentamos de responsabilidade os contribuintes, ao invés do que aconteceu de facto com o BPN», disse o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, falando sobre o PS no parlamento, numa audição da ministra das Finanças sobre o BES.

Num debate pautado por diversas trocas de acusações e argumentos entre os vários partidos, Montenegro disse que o PS defende a União Bancária e uma das suas «traves-mestras» é o de «responsabilizar os bancos e não os contribuintes» em matérias como a vivida no BES.

«Qual é a alternativa da oposição e do PS em particular?», interrogou o parlamentar social-democrata.

Alberto Martins, líder parlamentar do PS, insistiu na sua segunda intervenção no debate que na altura do BPN não existiam mecanismos legais para agir de outras formas, recentrando a discussão nos alertas sobre o BES, que já eram conhecidos «há muito tempo, há mais de um ano».

«O que fez o Governo ? O que fez a troika? Qual foi a atuação da supervisão?», questionou o socialista.

A audição na comissão permanente da Assembleia da República da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, sobre o caso BES, demorou cerca de uma hora.



Maioria adia para setembro votação de pedidos de audição requeridos pela oposição

Entretanto, a maioria parlamentar adiou para setembro a votação das propostas de audição parlamentar «com carácter de urgência» do presidente do Novo Banco, da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e da KPMG, no âmbito do caso Banco Espírito Santo (BES).

A audição na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças da CMVM tinha sido requerida pelo BE e pelo PS, com os bloquistas a solicitarem ainda a ida à Assembleia da República do presidente do Novo Banco, Vítor Bento, e da KPMG.

O líder parlamentar do BE adiantou aos jornalistas que na reunião de coordenadores da comissão de Orçamento e Finanças a maioria PSD/CDS-PP decidiu adiar a votação dos pedidos dos bloquistas e do PS para a próxima reunião da comissão, que deverá ter lugar na primeira semana de setembro, depois das férias parlamentares.