O líder parlamentar do PSD desafiou hoje o secretário-geral do PS a dizer se «concorda ou não» com a opinião do deputado socialista João Galamba, de haver um perdão da dívida portuguesa.

«Ainda ontem o deputado João Galamba dizia que devia haver um "hair cut", um perdão de dívida, que esse era o caminho e que não é propriamente o que a liderança do Partido Socialista tem protagonizado», afirmou Luís Montenegro à saída de uma reunião com empresários em Torres Novas.

«Aproveito para lançar o repto ao doutor António José Seguro para ele dizer se concorda ou não com esta visão», afirmou.

Hoje, em conferência de imprensa e questionado sobre esta matéria, o dirigente socialista Eurico Brilhante Dias já disse que o PS rejeita em qualquer circunstância um perdão para a dívida portuguesa, mas que defende uma renegociação ao nível das maturidades, juros e eventuais moratórias.

Luís Montenegro disse ter saído da reunião na sede da Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant) com a convicção de que os empresários querem «previsibilidade, que não haja hesitações no caminho».

«Se o caminho é ter finanças públicas equilibradas, termos condições de sustentabilidade da nossa dívida, o que os empresários pedem é que não andemos a tergiversar e a modificar esse caminho», afirmou.

Para o líder parlamentar social-democrata, é igualmente fundamental o entendimento com o PS quanto a matérias como o regime fiscal.

«Os empresários disseram que temos regimes fiscais que mudam muitas vezes e muito rapidamente», o que limita a capacidade de investimento e as parcerias com investidores estrangeiros.

«Respondi que é por isso que queremos um compromisso com o Partido Socialista. Não é por falta de votos para aprovar leis na Assembleia da República. Temos os suficientes para aprovar reformas no domínio fiscal. Podíamos ter aprovado a reforma do IRC sozinhos, mas quisemos envolver o PS, porque é a melhor forma de dizer ao país que pode contar com uma linha estratégica para os próximos anos», afirmou.

A reunião do grupo parlamentar do PSD com empresários do distrito de Santarém insere-se na ronda iniciada em janeiro e que, até ao final da legislatura, levará os deputados sociais-democratas a todos os círculos eleitorais do país para «colher contributos, opiniões e sugestões em vários domínios», disse Luís Montenegro à Lusa.

O deputado assegurou que o calendário escolhido não tem «nada a ver» com a proximidade de atos eleitorais, mas com o facto de se estar numa fase da legislatura em que, «felizmente», a atenção pode ser direcionada «já não tanto para questões financeiras mas para questões económicas e de dinamização da economia».

«Problema insanável interno ao PS»

Também hoje o porta-voz do PSD considerou que há «um problema insanável interno ao PS» sobre a questão do perdão da dívida portuguesa, insistindo que o líder socialista tem de clarificar a posição do partido.

«O PS tem graves problemas para resolver, nomeadamente há um problema insanável interno ao PS quando nós ouvimos o deputado João Galamba dizer uma coisa e o doutor Alberto Martins dizer outra», afirmou o coordenador da Comissão Política Nacional do PSD, Marco António Costa, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com a direção da CAP - Agricultores de Portugal.

Dizendo que o deputado do PS João Galamba já veio defender um "hair cut" (perdão da dívida), enquanto o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, anunciou uma «versão mais suave e mais encapotada», Marco António Costa sublinhou que se trata de uma «matéria demasiadamente importante para ficar sem esclarecimento na opinião pública».

«A verdade dos factos é que o líder do PS tem que clarificar esta matéria», desafiou o porta-voz social-democrata.