O ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, defendeu esta quinta-feira que Portugal tem tido uma posição de enorme solidariedade para com a Grécia, rejeitando uma postura do Governo mais dura em relação à situação dos gregos.

"Portugal tem tido uma posição de enorme solidariedade para com a Grécia - de resto, uma posição que tem sido totalmente concertada com os outros 18 países do euro. Essas acusações pura e simplesmente não correspondem à verdade. "


Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, questionado sobre as críticas que têm sido feitas ao posicionamento do Governo português no quadro europeu, Luís Marques Guedes respondeu que as acusações só vêm de dois sítios, ou do Syriza ou dos partidos portugueses pró-Syriza.

 "Essas acusações vêm sempre de dois sítios: ou do Syriza ou dos partidos portugueses pró-Syriza."

Estas declarações surgem depois de o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, ter afirmado, na quarta-feira, que os mais duros em relação à crise no país helénico não são os alemães, mas os países mais pequenos, "que fizeram significativos esforços". Também na quarta-feira, em entrevista à Antena 1, o presidente do PS, Carlos César, criticou o posicionamento do Executivo, afirmando que os maiores obstáculos ao fecho de um acordo foram os pequenos países, incluindo Portugal.

Interrogado sobre qual a expectativa do executivo PSD/CDS-PP em relação ao resultado do referendo convocado pelo Governo grego sobre a última proposta de acordo feita pelos credores, Marques Guedes não se quis "pronunciar minimamente" sobre essa questão.

"É um assunto estritamente interno que diz respeito à democracia interna da própria Grécia. Era o que faltava que os outros países se imiscuíssem nas regras próprias internas de funcionamento da democracia de cada um dos Estados-membros. [...] Limitamo-nos a aguardar, como penso que todos os outros Estados europeus, aquilo que seja o funcionamento interno das regras democráticas da Grécia."

Questionado sobre o facto de diversos atores já se terem pronunciado sobre o assunto, Marques Guedes reiterou que, "da parte do Governo português, é óbvio que a única coisa que há a fazer é respeitar integralmente aquilo que são as regras democráticas internas da Grécia".
 

"O povo grego é que sabe as regras com que toma as suas posições. Era o que faltava que os governos dos outros países tomassem posição sobre isso. É a minha opinião. Se há instituições que têm opinião diferente, vai fazer de perguntar a essas instituições, e não a mim, porque é que elas o fazem", concluiu.