O ex-dirigente do CDS Lobo Xavier considerou hoje que o partido continua hoje a «resistir» como há 40 anos mas, no presente, contra o «populismo e a demagogia» assumindo os «custos políticos do ajustamento».

«Nós resistimos ontem contra arautos da liberdade que queriam instaurar o totalitarismo, resistimos hoje contra o populismo e a demagogia. Não há dúvida de que resistimos hoje com coragem e dignidade contra a exploração e o sofrimento dos portugueses», considerou Lobo Xavier.

O comentador político discursava no Teatro São Luiz, Lisboa, num comício evocativo da reunião da antiga Juventude Centrista (hoje Juventude Popular), há 40 anos, que teve a extrema-esquerda à porta, e que antecedeu o assalto à sede centrista no Largo do Caldas nessa noite.

Numa sala cheia com as antigas bandeiras amarelas, azuis e brancas da JC, e à frente de um ecrã onde se lia «40 anos - Portugal sempre», Lobo Xavier disse que o partido hoje «enfrenta os custos políticos de assumir o ajustamento» e resiste «contra ideologias de retrocesso, de voltar atrás».

Dirigindo-se àqueles que consideram que o partido «está longe» da sua matriz fundacional, Lobo Xavier recusou essa ideia, afirmando que o CDS «esteve já muito mais longe da sua matriz fundacional do que está hoje».

«Não vejo nisso nenhum problema, não vejo nas mudanças, nas derivas, nenhum problema. Quanto ao essencial, a democracia liberal, os valores cristãos, o progresso económico em nome do bem estar, de todos, um Estado contido, o equilíbrio social, uma economia social de mercado, esses valores estão cá hoje como estavam há 40 anos», sustentou.

Para Lobo Xavier, seria «uma candura imaginar que tudo podia ficar como há 40 anos», ironizando: «A extrema esquerda mistura-se em petições e declarações com os burgueses mais conhecidos, o PS meteu o socialismo na gaveta, o PCP não quer a democracia popular, uma das pessoas que há 40 anos dirigia a manifestação contra nós chegou a presidente da União Europeia».

«E, numa espécie de predestinados mágicos devíamos ficar na mesma? Não era natural», acrescentou.

Intervindo a seguir a António Lobo Xavier, o presidente da Juventude Popular, Miguel Pires da Silva, rejeitou a ideia, que disse existir na esquerda portuguesa, de que «os ricos do CDS» não fazem sacrifícios, afirmando que «os ricos do CDS são pessoas como as outras, que passam dificuldades» e sofrem com a situação económica do país.

O dirigente da Juventude Popular afirmou que «agora que a economia começa a dar sinais de vida» e que «tudo começou a resolver-se», apareceu um «Sócrates II» que disse querer aplicar a mesma «política despesista».

«É uma herança que arruinou Portugal. Não queremos voltar a estar de mão estendida para a Europa», disse.