O eurodeputado Carlos Coelho considera desnecessária uma revisão das regras do espaço Schengen de livre de circulação de pessoas, considerando que colocar em causa aquele que é um dos maiores sucessos do projeto europeu será «dar uma vitória aos terroristas».

Em declarações à Lusa, Carlos Coelho, um dos deputados ao Parlamento Europeu que mais trabalhou no domínio da livre circulação de pessoas, e autor do relatório da assembleia sobre a revisão de Schengen acordada em 2013, disse esperar que não sejam tomadas decisões precipitadas na sequência dos recentes atentados de Paris, já que «a precipitação é má conselheira» e «os legisladores e decisores políticos devem tomar decisões com frieza e razão, e não com base em emoções».

Admitindo o receio de que haja um movimento no sentido de serem impostas restrições à livre circulação de pessoas dentro da UE, pois «os indícios vão nesse sentido, e parece que há várias pessoas que seguem a mesma opinião» da francesa Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, o eurodeputado social-democrata faz a defesa do atual sistema de livre circulação de pessoas, que classifica como uma das maiores conquistas da União Europeia.

Apontada pelos cidadãos europeus, em inquéritos conduzidos ao nível comunitário, como o maior sucesso do projeto europeu, à frente do euro, do mercado único e da própria paz, a livre circulação de pessoas, apontou Carlos Coelho, é aquilo que os europeus devem preocupar-se em preservar: «se permitirmos que (a livre circulação de pessoas) seja posta em causa, estamos a dar uma vitória aos terroristas», sustentou.

«Sinceramente, não me parece que seja, de todo, necessário rever as regras de Schengen. Estou aberto a mudar de opinião se me provarem que estou enganado», disse, acrescentando que, até agora, tal não sucedeu.


Referindo-se em concreto aos atentados de Paris, o deputado europeu aponta que não vê como é que um controlo das fronteiras internas teria mudado algo, pois os autores dos ataques eram cidadãos franceses e devidamente referenciados, e, a haver falhas, essas terão sido dos serviços secretos franceses e das autoridades judiciárias.

Para Carlos Coelho, o que se pode e deve fazer é identificar problemas, designadamente ao nível das fronteiras externas, e corrigi-los, o que é possível fazer com o acordo de Schengen revisto, que será aplicado precisamente a partir deste ano.

«Penso que essa abordagem é muito mais séria do que simplesmente bradar mudanças ou fazer anúncios vistos», concluiu, admitindo que essa é uma tentação na qual poderão cair vários líderes políticos, cujos discursos «mais musculados» são motivados sobretudo «por cálculo político».