O cabeça de lista por Lisboa da coligação Livre/Tempo de Avançar às eleições legislativas afirmou esta quarta-feira, nos Açores, que a subida do défice em 2014 significa que o país deu “uma enorme volta ao inferno da austeridade” para ficar pior.

“Os cálculos do INE [Instituto Nacional de Estatística] demonstram que estamos muito acima dos objetivos e das metas quantificadas pela ‘troika’. Grande parte disso se deve à má gestão do senhor Ricardo Salgado e do Governo que terciarizou a decisão para o regulador e agora não consegue vender o Novo Banco”, afirmou Rui Tavares, à margem de uma visita a uma quinta na ilha de S. Miguel, onde se produz ananás.


A capitalização do Novo Banco fez o défice orçamental de 2014 subir para 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB), um valor que fica acima dos 4,5% reportados anteriormente, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O valor agora reportado é uma revisão em alta face ao que tinha sido divulgado na primeira notificação do Procedimento dos Défices Excessivos, uma situação que o INE justifica com "a inclusão de 4,9 mil milhões de euros relativa à capitalização do Novo Banco como transferência de capital".

“Demos uma enorme volta ao inferno da austeridade para ficarmos piores”, disse Rui Tavares acrescentando que “mergulhámos novamente numa crise devido aos desmandos da banca”.

Segundo o candidato, “os bancos devem ser menores, diversificados para que tragam valor moral à economia em Portugal”.

Após ter visitado a Quinta das Três Cruzes, em Ponta Delgada, Rui Tavares, acompanhado pelos candidatos do Livre/Tempo de Avançar pelo círculo dos Açores referiu que “a campanha eleitoral não é uma mera caça ao voto”, mas sim uma oportunidade para aprender.

Rui Tavares defendeu que a cultura do ananás, introduzida na ilha de S. Miguel no século XIX, merece ser “acarinhada”, apesar de reconhecer que “a União Europeia tem dificuldade em adaptar-se às realidades locais”.

O partido Livre/Tempo de Avançar concorre pela primeira vez às eleições legislativas, a 04 de outubro, com candidatos em todos os círculos eleitorais.