O ex-secretário nacional do PS para a Organização Miguel Laranjeiro afirmou-se este domingo "triste, chocado e preocupado" com a derrota dos socialistas e sugeriu que para breve deve ser marcado um congresso extraordinário, tendo em vista apurar responsabilidades.

"Estou triste, chocado e preocupado. Tem de haver consequências, naturalmente", declarou Miguel Laranjeiro membro das direções do PS durante a liderança de António José Seguro.


Miguel Laranjeiro, que já não fez agora parte da lista de candidatos a deputados do PS pelo círculo de Braga, disse-se "triste porque milhares e milhares de simpatizantes e militantes socialistas estiveram envolvidos nesta campanha, dando tudo, nomeadamente os muitos anónimos".

"Estou chocado com o resultado, porque não era expetável, sobretudo após o PS ter vencido as autárquicas e as europeias, tendo sido agora interrompido um ciclo de vitórias. Aliás, as eleições europeias foram vencidas pelo PS contra esta coligação PSD/CDS", salientou o ex-dirigente do PS.


A seguir, Miguel Laranjeiro também se manifestou "preocupado com o futuro do país" na sequência da vitória da coligação PSD/CDS-PP.

Interrogado se o secretário-geral do PS, António Costa, deve demitir-se, Miguel Laranjeiro defendeu que deve ser feita "uma avaliação".

"Sempre defendi que os secretários-gerais do PS que vencem eleições nacionais devem manter-se nos cargos. É uma tradição do PS", declarou, numa indireta a Costa, que perdeu agora as eleições legislativas, mas não se demite do cargo.

Miguel Laranjeiro referiu-se depois ao processo em que António Costa substituiu António José Seguro na liderança do PS em setembro de 2014.

"O objetivo era então a maioria absoluta e o PS sai agora com este resultado. Precisamos de fazer uma reflexão nos órgãos internos, mas também com responsabilização, como o próprio secretário-geral do PS admitiu. Com este resultado, o secretário-geral fortalecido não fica", apontou.

Miguel Laranjeiro admitiu depois que o processo interno no PS pode passar por um congresso extraordinário "o mais breve possível para fazer uma avaliação sobre o que correu mal".

"Tivemos um crescimento de votos à nossa esquerda, sem compensar com a conquista de votos ao centro", sustentou o ex-secretário nacional do PS para a Organização.

Miguel Laranjeiro foi questionado sobre divisões entre "costistas" e "seguristas" no interior do PS, mas rejeitou esse quadro.

"Não há seguristas e costistas. Todos estivemos envolvidos na campanha", contrapôs.

Questionado se António José Seguro pretende regressar à política ativa na sequência do resultado do PS nas eleições legislativas, Miguel Laranjeiro respondeu. "Não sei, não sei responder".