O presidente do PSD acusou esta sexta-feira o secretário-geral do PS de ameaçar os eleitores ao anunciar que, se for oposição, não viabilizará o próximo Orçamento, e considerou que a maioria dos socialistas não se revê nessa posição.

"Eu não acredito que a maioria dos socialistas se reveja nesta posição", afirmou Pedro Passos Coelho, num jantar comício de pré-campanha da coligação PSD/CDS-PP para as legislativas de 04 de outubro realizado no pavilhão da Associação Empresarial da Região de Castelo Branco.


O presidente do PSD e primeiro-ministro acusou o secretário-geral do PS de "procurar dividir os portugueses, ameaçar os eleitores e prometer conflitualidade e instabilidade", acrescentando: "Não é uma maneira madura de tratar civicamente uma democracia que nestes 41 anos merecia mais nestas eleições de outubro".

Esta sexta-feira, em entrevista à Antena 1, o secretário-geral do PS anunciou que não viabilizará o Orçamento do Estado para 2016 caso a coligação entre PSD e CDS-PP designada Portugal à Frente ganhe as eleições legislativas de 04 de outubro.

"A última coisa que fazia sentido é o voto no PS, que é um voto de pessoas que querem mudar de política, servisse depois para manter esta política. É evidente que não viabilizaremos, nem há acordo possível entre o PS e a coligação de direita", disse António Costa.


Reagindo a estas palavras, Passos Coelho invocou a história dos socialistas: "O PS também tem uma história em Portugal que está ligada à nossa democracia e que está ligada ao respeito e à consolidação de um processo democrático pluralista e importante para a coesão da sociedade portuguesa".

"Eu não acredito que muitos socialistas se revejam nesta maneira de tratar os portugueses, nesta maneira de tratar Portugal, depois de tudo o que aconteceu", reiterou.


Por outro lado, sustentou que António Costa muda de mensagem consoante a plateia: "Não podemos à terça-feira quando falamos com os empresários dizer com ar grave que é importante acabar com a confrontação na sociedade portuguesa e garantir a estabilidade, e à sexta-feira prometer a guerra e a destruição ao país se o país não nos der aquilo que nós queremos".

Segundo Passos Coelho, o secretário-geral do PS "a contribuir para a criação de um clima de coesão nacional, de solidariedade nacional", demonstra que não aprendeu com o passado.

Numa intervenção que durou cerca de meia hora, perante aproximadamente mil pessoas, Passos Coelho disse que se enganam aqueles que pensam que a coligação PSD/CDS-PP está cansada e deu por terminada a sua missão e defendeu que a governação dos últimos quatro anos "valeu a pena".

No final do seu discurso, o atual primeiro-ministro pediu "com humildade" o voto dos portugueses: "Precisamos, sim, de estabilidade. Precisamos, sim, de apoio político. É nas eleições, com humildade, que se pede esse apoio, e é com humildade que eu peço esse apoio a Portugal, para que os bons resultados que temos não andem para trás".