O líder do PSD disse esta segunda-feira que enquanto chefe do Governo pode encarar os portugueses com "as costas direitas e a cabeça levantada", insistindo que não é responsável, nem pode ser responsabilizado pelo tempo de 2011.

"Como chefe do Governo hoje encaro os portugueses, aqueles que gostam de mim e os que não gostam, os que votaram em mim e os que não votaram, nem em mim, nem no doutor Paulo Portas há quatro anos atrás e posso encará-los com as costas direitas e a cabeça levantada", afirmou o presidente social-democrata e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, durante um almoço com associações, em Paço de Arcos, no concelho de Oeiras.


Naquela que foi a segunda ação de pré-campanha do dia da coligação PSD/CDS-PP, Passos Coelho voltou a "prestar contas" sobre o que aconteceu nos últimos quatro anos, lembrando o país que herdou em 2011, com um Estado em pré-bancarrota e insistindo que o atual executivo não escolheu "o ponto de partida": "não sou responsável, nem posso ser responsabilizado pelo tempo de 2011", frisou.

Numa intervenção em que repetiu a mensagem dos últimos dias, o também primeiro-ministro voltou a deixar críticas aos socialistas, referindo-se às "pessoas que são atacadas de uma memória histórica muito peculiar e que resolveram encarar a história passada de forma muito diversa daquela que nós recordamos".

"Aqueles que não gostam de nós, não gostam também que recordemos o nosso ponto de partida, mas é importante porque qualquer pessoas isenta e não-partidária sabe que o caminho que fizemos não é independente do ponto de partida", disse, justificando o ‘regresso' ao passado do discurso da coligação com a necessidade de não regressar a esse mesmo passado.

Na sua intervenção, quase em jeito de resposta a uma reformada que o abordou à entrada para o almoço, Passos Coelho falou ainda do Estado Social, assegurando que com a coligação "não haverá riscos para o Estado Social".

Na conversa com a antiga funcionária pública, "encarregada de serviço durante 20 anos" e agora "reformada por doença", o líder do PSD tentou responder aos ‘ataques' e críticas sobre os cortes nas pensões.

"Gostei muito de si, mas não sei o que tem contra os funcionários públicos", disse a reformada, insistindo que ainda hoje tem cortes na pensão.

"A senhora não tem nenhum corte na pensão porque já não há cortes nas pensões", respondia Passos Coelho perante as acusações.


Sem ‘desarmar', a mulher continuou durante largos minutos a confrontar o primeiro-ministro e líder do PSD com a difícil situação do país, recusando a ‘tese' de que o José Sócrates seja o "bicho mau".

"Ele não é o bicho mau de todos", disse, recusando que seja o ex-primeiro-ministro a "pagar agora por tudo e mais alguma coisa".

"A senhora pode ter as simpatias que quiser, mas não podemos fugir à verdade dos factos: hoje tenho a certeza que pode escolher com mais liberdade do que tínhamos em 2011", replicou Passos Coelho.