O secretário-geral do PS, António Costa, considerou esta quinta-feira que o primeiro-ministro está "prisioneiro do passado" e "não tem nada a dizer sobre o futuro" de Portugal.

"O doutor Passos Coelho é um prisioneiro do passado. Não tem nada a dizer sobre o futuro, está esgotado, o seu programa era o programa da troika", vincou António Costa em entrevista transmitida pela RTP e RTP Informação.


O socialista deu como exemplo a "visão" do líder da coligação de direita Portugal à Frente (PaF) sobre a "competitividade da economia".

Para Costa, Pedro Passos Coelho "não percebeu" que o que conta nesta matéria "é o conhecimento e a inovação e não os baixos salários".

A entrevista, que durou um pouco mais de 30 minutos, e decorreu no dia seguinte ao único debate televisivo entre Costa e Passos, começou por abordar a temática da Justiça e passou por áreas como a economia, obras públicas, a questão grega, o programa socialista e a problemática atual dos refugiados.

No que se refere à Grécia, António Costa elencou o que diz serem "dois erros" do executivo helénico: primeiro falhou no "método", pois achava que o problema se resolvia "com uma proclamação unilateral" de mudança, o que é errado já que a "solução passa por uma negociação no quadro europeu".

O segundo erro, prosseguiu, foi "ter posto como questão central e primeira em cima da mesa a questão do debate sobre a dívida", defendendo que é necessário um "novo equilíbrio" entre os recursos afetos à dívida e os fundos que possam ser aplicados em áreas como a educação, justiça, eficiência energética e reabilitação urbana.

"Não se relança a economia com mais austeridade, relança-se devolvendo às famílias os seus rendimentos e criando condições para que as empresas possam investir", declarou ainda na entrevista à RTP, referindo-se neste caso também a Portugal.

A nível económico, e reforçando que o PS fez as contas para o programa que apresenta, António Costa falou da taxa de desemprego e da sua redução nos últimos tempos em Portugal.

Tal taxa, advogou, analisa o "número de desempregados relativamente ao conjunto da população ativa" e quando a taxa de desemprego cai "pode haver uma boa [notícia] a dizer que hoje já há mais emprego, ou uma má [notícia], que a população ativa é menor".

"O nosso problema é que a melhoria da nossa taxa só dá duas más notícias: há menos emprego (…) e o que diminuiu muito foi a população ativa", ressalvou.


Ainda no plano económico, o líder do PS defendeu ser necessário "acabar com a guerra sobre as obras públicas" em Portugal e reclamou um debate sereno e eficaz na sociedade portuguesa sobre o próximo quadro comunitário de apoio, a vigorar a partir de 2020.

Na parte sobre os refugiados, Costa descreveu-se como um "pacifista por natureza" sem a "ilusão" todavia de que por vezes a solução bélica é a necessária para a "proteção e garantia de direitos fundamentais" das populações.

E acrescentou: "A União Europeia tem de ter uma política externa, de defesa comum, que seja ativa e possa desenvolver a paz e desenvolvimento em territórios que neste momento estão em guerra".