O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, comparou hoje a proposta do PS de estímulo à economia à custa da Segurança Social com as SCUT, acusando os socialistas de dizer aos portugueses "leve agora este programa, depois paga".

Passos Coelho discursava num jantar de pré-campanha da coligação PSD/CDS-PP na Alfândega do Porto - onde à entrada um grupo dos lesados do papel comercial do BES se manifestava -, considerando "duplamente errado" que os adversários façam "esta coisa triste que é usar as pessoas e a sua desgraça para fazer política" contra a maioria.

"O programa de estímulo à economia à custa da Segurança Social parece hoje aquilo que nos venderam no passado com as SCUT. Não tem custos, a fatura virá depois, de preferência com outro Governo. E querem fazer portanto com a Segurança Social e com o seu novo programa para Portugal o que já fizeram antes, dizer aos portugueses: leve agora este programa, depois paga", acusou.


Depois de uma manhã atribulada em Braga, os lesados do papel comercial do BES voltaram a concentrar-se e manifestar-se de forma ruidosa à porta da Alfândega do Porto, tendo Passos Coelho e Paulo Portas entrado no edifício pelo meio de um corredor formado por jovens militantes dos dois partidos, que envergavam bandeiras da coligação e entoavam cânticos de apoio à maioria.

Passos Coelho dispensou parte do seu discurso a dirigir-se aos "profetas da desgraça" que hoje "lavam as mãos do que aconteceu em 2011".

"Lembram-se, fui eu que chamei a troika. Houve essa revelação ao país, esta epifania ao fim de quatro anos e meio. Foi Pedro Passos Coelho quem chamou a troika a Portugal e quem se satisfez com tal resultado", ironizou o primeiro-ministro, perante uma gargalhada da audiência, numa referência ao debate com António Costa.


Passos Coelho acusou assim a oposição de não assumir "a sua própria responsabilidade", de quer "atirar a crise para aqueles que a venceram e atirou: "ainda se propõem serem levados a sério apresentando-se aos portugueses com a mesma receita, a mesma receita que nos trouxe ao colapso em 2011".

"Nos primeiros dois anos do choque com a realidade que nos foi deixada pela crise, nós perdemos em Portugal quase 400 mil empregos. E nestes dois anos já conseguimos que a nossa economia criasse mais de 200 mil e mais estão a ser criados e mais serão criados no próximo ano", disse.

Passos Coelho questionou ainda se haverá "forma mais honrada, compromisso mais sério" do que fazer aquilo que os adversários acusaram a maioria "de ser impossível de conseguir, mas que os portugueses se esforçaram" para que fosse possível "dar a volta à crise e pôr o país a crescer e a criar emprego".

"Hoje posso dizer a todos esses profetas, que no fundo não queriam enfrentar-nos nestas eleições, sabendo que nós cumprimos e que vaticinaram com palavras fortes durante todos estes anos que o país não iria conseguir, que íamos ficar presos ao passado, à crise e à austeridade: palavras leva-as o vento, mas as ações dos portugueses e do Governo ficaram para as próximas eleições poderem ser julgadas enquanto tal", enfatizou.

Para o líder do PSD, "o maior compromisso e mais importante que se esperaria" da coligação à frente do Governo de Portugal foi PSD e do CDS-PP terem conseguido "cumprir e dar a Portugal como era sua obrigação".