A candidatura cidadã Livre/Tempo de Avançar vai propor a todas as forças políticas a construção de um acordo que permita no Parlamento reproduzir a maioria social que existe contra a austeridade.

«Achamos que deve haver um compromisso entre partidos e cidadãos para dar resposta aos problemas mais prementes do país e que esse compromisso tenha alguns pontos que sejam iguais para todos, para que os cidadãos possam ter a confiança de que após as eleições estes problemas vão ter resposta», afirmou Rui Tavares, da candidatura.

Falando no final da segunda reunião do Conselho da candidatura cidadã Livre/Tempo de Avançar, em Lisboa, Rui Tavares explicou que se trata de um desafio «a todos os que se têm posicionado contra as atuais políticas e contra a austeridade», no sentido de que seja criado um compromisso sobre «temas inadiáveis», como a renegociação da dívida, o desemprego, a desigualdade, as privatizações e a própria política, nomeadamente em termos de luta contra a corrupção e aprofundamento da democracia.

Nesta mesa redonda, acrescentou, poderão estar todos os partidos e forças políticas que tenham «traços de união», incluindo o BE, o PCP, o PS e «toda a gente que queira fazer esse compromisso», além de partidos que neste momento não têm representação parlamentar.

«É uma proposta a todos os que se têm posicionado contra as atuais políticas, contra a austeridade», sublinhou Rui Tavares, que em 2009 foi eleito como independente nas listas do BE para o parlamento europeu, para dois anos depois abandonar aquele grupo parlamentar e se juntar ao grupo dos Verdes, criando depois o partido Livre.

Antes, a ex-deputada bloquista e agora dirigente do Fórum Manifesto Ana Drago já tinha explicado que a intenção da candidatura cidadã Livre/Tempo de Avançar é criar uma mesa redonda que, em torno de um conjunto de pontos fundamentais, saiba construir um acordo que «não vá trair a maioria social que existe contra a austeridade».

«As diferentes forças que se vão apresentar nas eleições legislativas podem desde já e antes das eleições incluir nos seus programas eleitorais um conjunto de escolhas políticas que podem mudar radicalmente aquilo que tem sido a governação política dos últimos anos», disse, frisando que na sociedade portuguesa «todos os sinais mostram que existe claramente uma maioria social e política contra a austeridade, a crise social e a enorme desigualdade».

Porém, acrescentou, não é claro que no novo parlamento seja possível «dar voz a esta vontade de mudança política profunda» com um novo Governo que combata a política de austeridade.


Eleições primárias a 21 de junho 


A candidatura cidadã Livre/Tempo de Avançar anunciou que vai realizar eleições primárias a 21 de junho para escolher os candidatos às eleições legislativas que se irão realizar no final do verão.

A data foi avançada este domingo à tarde, durante uma conferência de imprensa realizada no final da segunda reunião do conselho da candidatura cidadã Livre/Tempo de Avançar, com Manuela Silva a adiantar que a intenção é que as eleições primárias decorram pelo menos nos principais círculos eleitorais.

A entrega de candidaturas estará aberta a partir de 25 de abril, com o início da campanha dos candidatos às eleições primárias marcada para 30 de maio.

Na formalização das candidaturas, os candidatos deverão apresentar uma breve nota biográfica, uma nota de candidatura, além do compromisso de que «não têm acusações por corrupção». Cada candidatura terá se ser proposta por cinco pessoas.

O presidente da comissão eleitoral será Luís Moita, professor catedrático de relações internacionais.

A candidatura cidadã Livre/Tempo de Avançar junta o partido LIVRE e as associações Fórum Manifesto, dos ex-bloquistas Ana Drago e Daniel Oliveira, e Renovação Comunista, o Movimento de Intervenção e Cidadania do Porto (MIC-Porto) - participante na candidatura presidencial do histórico socialista Manuel Alegre - e outras personalidades da esquerda envolvidas no «Manifesto 3D» («Dignidade, Democracia e Desenvolvimento») e Congresso Democrático das Alternativas, como Boaventura Sousa Santos, Isabel do Carmo, José Castro Caldas, Pilar del Rio ou Ricardo Sá Fernandes.