Daniel Oliveira, da Associação Fórum Manifesto, afastou na segunda-feira a possibilidade de uma coligação pré-eleitoral com os socialistas, manifestando a intenção de quebrar o tabu de que à esquerda do PS só cabe o protesto.

Daniel Oliveira falava aos jornalistas no final do Clube dos Pensadores, que decorreu segunda-feira em Vila Nova de Gaia - e que contou também com a presença de Ana Drago, presidente da direção executiva da Associação Fórum Manifesto.

«Ninguém está aqui a trabalhar em qualquer possibilidade de coligação pré-eleitoral com o PS», afiançou o ex-dirigente do Bloco de Esquerda, embora afirmando o objetivo de conseguir «condicionar o Governo» que sair das próximas legislativas.

«Aquilo que se quer construir é uma plataforma política e eleitoral que vá a votos com um programa próprio, com um discurso próprio, distinto do do PS, diferente do do PS e com a força eleitoral que conquistar tenha a capacidade de condicionar e determinar o Governo», sintetizou, admitindo a possibilidade de exercer o poder mas deixando claro que é «inútil» quem queira participar num Governo a qualquer.

O ex-bloquista e membro da direção executiva da Associação Fórum Manifesto sublinhou a capacidade «de já à partida trabalhar com pessoas que podem politicamente dar um grande acrescento a este espaço político» ao quebrar-se «o tabu de que à esquerda do PS é para reforçar o protesto».

Durante todo o período de perguntas por parte da audiência surgiram várias perguntas sobre a forma através da qual se poderão apresentar às eleições legislativas, tendo Daniel Oliveira reiterado aos jornalistas que há «um processo de construção que se iniciou e que brevemente ganhará dimensão pública de diálogo entre a Manifesto e o Livre e muitos cidadãos», não querendo desvendar nada mais porque «seria deselegante».

«Não há um tabu à partida. Há uma disponibilidade que responde a esta questão central: há um momento de emergência nacional. Os portugueses estão a dizê-lo em permanência e quem quer agir na política tem a obrigação de responder a este sentimento de emergência nacional e não se pode continuar a comportar como se a política estivesse toda na mesma, como estava há 10 anos ou há 15 anos. Não está», referiu.

Durante a resposta às perguntas durante o Clube dos Pensadores, Ana Drago disse querer «encontrar em Portugal as forças e as capacidades disponíveis para alterar o contexto».

«Um Governo que seja sustentado por uma forte maioria social e que esteja disposto a fazer, perante os credores e no quadro europeu, uma batalha pela defesa do modelo da nossa democracia é o Governo que eu quero e estou disponível para ser essa força social que diz: ‘nós estamos aqui a defender isto, vai lá discutir com os outros'», enfatizou.

A ex-bloquista disse que a associação a que preside está «disponível para encontrar estes compromissos», sublinhando que «há um conjunto de conversas com cidadãos, com organizações já conhecidas e o Partido Livre no sentido de criar esta vontade, de uma esquerda que esteja disponível para olhar o país e falar com verdade sobre os enormes constrangimentos que temos».

Para Daniel Oliveira, a questão central é que o país tem «dois constrangimentos centrais» que são «as metas do tratado orçamental e uma dívida absolutamente sufocante e, noutro vértice deste triângulo, há aquilo a que chamamos Estado Social».

«O compromisso político central é que neste triângulo, para nós e para mim, há um vértice que é aquele que tem toda a prioridade na sua defesa, que é o Estado social. Isso significa que a relação com a Europa tem que ter outros moldes. Portugal tem que abandonar a sua posição de passividade e defender aqueles que são os interesses dos portugueses junto da Europa», como cita a Lusa.