Os oito funcionários judiciais internacionais, sete portugueses e um cabo-verdiano, a quem o Governo de Timor-Leste ordenou na segunda-feira a expulsão já deixaram o país, sem nunca terem sido notificados pelos Serviços de Migração timorenses.

Os últimos quatro funcionários que ainda permaneciam no país, dois juízes e uma procuradora portugueses e um procurador cabo-verdiano, deixaram hoje Timor-Leste em voos com destino a Bali, Indonésia, e Singapura, devendo chegar a Portugal na sexta-feira.

Vários juízes e procuradores timorenses deslocaram-se ao aeroporto para se despedirem dos colegas, sem prestarem declarações à imprensa.

Ontem, quarta-feira, Xanana Gusmão explicou, numa entrevista à agência Lusa, porque é que o seu governo decidiu expulsar os magistrados portugueses. O primeiro-ministro de Timor-Leste diz que o Conselho Superior de Magistratura timorense desobedeceu à resolução que determinava a suspensão dos contratos e a realização de uma auditoria ao setor judicial, mantendo os magistrados em funções. 

Também Passos Coelho falou ontem sobre o caso. «Muita água terá de correr» para Portugal voltar a cooperar a sério com Timor-Leste. Palavras do primeiro-ministro português, que lamentou esta quarta-feira, «profundamente», a ordem de expulsão de magistrados portugueses pelas autoridades timorenses.