Por: Redacção / PP | 28- 1- 2012 9: 53
O Ministério da Justiça quer extinguir 47 tribunais/juízos com menos de 250 processos, de acordo com a proposta de reorganização
do mapa judiciário a que a agência Lusa teve acesso.
O documento de trabalho, segundo a ministra da Justiça, já foi
entregue à «troika» e propõe, entre outras medidas, a extinção de tribunais/juízos em todos os distritos do continente, à
excepção do Porto, e nas regiões autónomas dos Açores e Madeira.
A proposta, elaborada pela Direcção-Geral da Administração
da Justiça (DGAJ), reconhece que as mudanças propostas levarão a alguma contestação local e defende o esclarecimento das populações
e autarcas relativamente às opções tomadas.
«A concretização de tais opções de extinção conduzirá a alguma contestação
local, de populações e autarcas, a quem se imporá esclarecer da forma mais completa possível as opções tomadas», refere o
documento.
Segundo explica a DGAJ, a proposta de encerramento de serviços usou como critérios de ponderação, entre
outros, o volume processual expectável após a reorganização (inferior a 250 processos entrados), a distância entre o tribunal
a encerrar e o que vai receber o processo (passível de percorrer em cerca de uma hora) e a qualidade das instalações, bem
como a circunstância de serem propriedade do Ministério da Justiça ou arrendadas.
De todos os tribunais/juízos a
encerrar, o que tem menor movimento processual é o de Pampilhosa da Serra (Coimbra), com 44 processos entrados e que transitam
para Arganil, a 54 quilómetros de distância.
No extremo oposto, o que apresenta maior movimento processual é o de
Avis (Portalegre), que está acima do limite usado como ponto de referência (250), com 267 processos entrados e que transitarão
para Fronteira, a 25 quilómetros.
Assim, no continente, o documento de trabalho entregue à «troika» sugere o encerramento
de dois tribunais/juízos em Aveiro (Castelo de Paiva e Sever do Vouga), um em Beja (Almodôvar) e outro em Braga (Cabeceiras
de Basto), quatro em Bragança (Alfandega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vimioso e Vinhais), dois em Castelo Branco (Oleiros
e Penamacor) e seis em Coimbra (Mira, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Soure e Tábua).
Propõe igualmente o
encerramento de dois tribunais/juízos em Évora (Arraiolos e Portel), um em Faro (Monchique), quatro na Guarda (Figueira de
Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Meda e Sabugal), três em Leiria (Alvaiázere, Ansião e Bombarral), um em Lisboa (Cadaval),
dois em Portalegre (Avis e Castelo de Vide) e três em Santarém (Alcanena, Ferreira do Zêzere e Mação).
É ainda proposta
a extinção de um tribunal em Setúbal (Sines, transitando os processos para Santiago do Cacém e Setúbal), dois em Viana do
Castelo (Melgaço e Paredes de Coura), quatro em Vila Real (Boticas, Mesão Frio, Murça e Sabrosa) e seis em Viseu (Armamar,
Castro Daire, Nelas, Oliveira de Frades, Resende e Tabuaço).
A proposta sugere ainda o encerramento de um tribunal
na Madeira (São Vicente) e outro nos Açores (Nordeste).
O documento admite que é expectável um aumento da pressão
sobre os serviços do litoral, uma vez que, segundo o Censos de 2011, a maior parte dos municípios do interior perdeu população
e se acentuou o padrão da litoralização, com reforço de concentração de pessoas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
Um
tribunal por distrito
Um único tribunal por distrito, com secções a funcionar em diversos pontos daquela área
geográfica, é a base do novo modelo.
A proposta define que tais secções serão de competência genérica ou especializada,
de acordo com «o histórico da procura, as previsões de evolução e as condições de mobilidade do território, e funcionarão
na dependência orgânica da estrutura de presidência do tribunal».
O documento refere que esta nova organização terá
reflexos na organização judicial e nas secretarias e secções de processos, estando orientada para uma maior mobilidade de
recursos (humanos e materiais) e de processos.
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