O ex-dirigente da Juventude Socialista (JS) Porfírio Silva considerou hoje que o PS «não vai ser vítima» dos últimos acontecimentos com José Sócrates, salientando que o partido vai concentrar-se no país, que precisa de uma alternativa.

Porfírio Silva, que foi coordenador da moção de estratégia de António Costa às eleições primárias de setembro passado, salienta no seu blogue « Machina Speculatrix» estar «preocupado» com o que se passou nos últimos dias com José Sócrates e com os possíveis efeitos da sua prisão preventiva no PS.

«Estou dorido e preocupado, mas não entrei em modo de desistência. Nem de resignação. A democracia precisa do PS, precisa da alternativa que o PS vai construir. O PS tem uma longa história e aprendeu sempre: com as suas vitórias, com as suas derrotas, com os contributos decisivos que deu ao país, com os erros que também cometeu - e até com os erros de outros de que o PS foi vítima», adianta.


O ex-dirigente da JS diz que o «PS não quer ser vítima, que o partido não tem vocação para vítima e que não vai aceitar ser vítima».

Na opinião de Porfírio Silva, o PS tem «de concentrar-se no país, na alternativa, por respeito e dever para com aqueles cujas vidas foram desbaratas por estes anos de empobrecimento, de incerteza, até de medo».

O mesmo responsável salienta também no seu blogue que o PS «não pode cair na armadilha dos que esperam aproveitar o impulso dos processos judiciais para se manterem no poder».

«E esses esperam que o PS caia na armadilha da nossa dor. Não lhes daremos esse gosto. O PS será o resultado agregado das nossas forças e dos nossos ideais, não um aglomerado de dores. Não desistimos do país, não desistimos das pessoas, porque estamos cansados dos que descaradamente apregoam que o país pode estar melhor embora as pessoas não o estejam», escreveu.


Porfírio Silva salienta ainda que «não compreende que alguém com um módico de razoabilidade possa estar feliz pelos últimos acontecimentos, mesmo aqueles que considerem José Sócrates culpado por todos os erros políticos cometidos em Portugal nos últimos anos».