José Miguel Júdice, comentador da TVI, agora com a sua rubrica semanal "Porquê?" às segundas-feiras, no "Jornal das 8", considera que o resultado das eleições autárquicas "foi demasiado mau para o PSD e demasiado bom para o PS".

O problema não é só a rejeição ao Passos Coelho. A rejeição à Teresa Leal Coelho. O PSD está num estado, sem linha ideológica, estratégica. E quem não a tem, sofre, mais cedo ou mais tarde", sublinhou o comentador, defendendo que o partido "deve ter mais liberalismo avançado e não tanto a social-democracia" como linha a seguir.

Considerando que "o PSD é um partido envelhecido como o PCP", Júdice considera que os social-democratas têm de escolher um lugar no espectro político, mais ao centro do que ao centro-esquerda".

Se não houver um partido alternativo, fazemos um contrato e é o PS durante 200 anos a governar", ironizou o comentador, para quem "o PS quer maioria absoltuta, mas não queria que se soubesse. Ainda é muito cedo".

Adivinhando que o PS ganhará a maioria absoluta nas próximas legislativas, Júdice reforça a ideia com o facto do PCP ter perdido "15% dos votos na eleição que mais gosta".

É evidente que o PC já percebeu que a geringonça está a dar cabo dele. Portanto, o PC pode abster-se no orçamento. Ando a dizer isto há dois anos. O Orçamento passa mas será o primeiro sinal de que se vai afastar. Ao contrário, o Bloco de Esquerda vai cada vez mais estar perto do PS, porque o PS credenciais de esquerda. Quando forem as eleições em 2019 vai apelar ao voto útil da esquerda para ter maioria absoluta, esgrimindo o receio da direita", frisou José Miguel Júdice.