O PS acusou o Governo de «bombardear» o país com «anúncios» sobre política energética e congratulou-se por o primeiro-ministro «recuar em toda a linha» no objetivo de baixar as indemnizações por despedimentos sem justa causa.

Estas críticas ao executivo PSD/CDS foram feitas pelo dirigente socialista Jorge Seguro Sanches, a meio de uma reunião do Secretariado Nacional do PS.

«O PS entende que a vida dos portugueses não é uma agência de comunicação. Aquilo que por vezes são anúncios de terror, aquilo que por vezes são expetativas e promessas é tudo jogado pelo Governo na praça pública para criar incerteza na vida dos portugueses e das empresas», declarou Jorge Seguro Sanches.

Na sua declaração, o dirigente socialista referiu que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou há algumas semanas que iria ser reduzido o valor pago em indemnizações na sequência de despedimentos sem justa causa.

«O PS vê hoje que o Governo recuou em toda a linha nesta questão e está satisfeito. Sentimos que foi uma luta do PS, dos sindicatos e dos parceiros sociais para que o Governo recuasse», sustentou o membro do Secretariado Nacional do PS.

Na questão energética, Jorge Seguro Sanches apontou que os portugueses «foram nos últimos dias bombardeados com notícias que têm a ver com medidas positivas».

«Mas são apenas anúncios, não são mais nada, porque se o Governo quisesse na verdade concretizar medidas positivas na área da energia tinha feito aquilo que o PS pede há mais de três anos e que o próprio Governo já aceitou na Assembleia da República», afirmou, dando depois como exemplo a criação »de uma rede de combustíveis low cost [de baixo custo]».

Sobre este tema, Jorge Seguro Sanches vincou que «o Governo avançou agora com uma medida sobre preços de referência ao nível dos combustíveis», mas que «o PS quer mais do que isso - quer que sejam os consumidores a poder escolher qual o tipo de combustível a consumir».

Neste contexto, Jorge Seguro Sanches reiterou a defesa dos socialistas a favor do fim da dupla tributação [entre Espanha e Portugal] do gás natural e frisou que o PS entende que o alargamento da tarifa social da eletricidade «é uma medida que urge ser colocada em prática».

«Mas não basta falarmos que amanhã serão cem mil ou 500 mil as famílias com tarifa social. É preciso ter medidas e concretizá-las», advertiu o membro do Secretariado Nacional do PS.