O antigo ministro socialista Jorge Coelho afirmou, este sábado, em Setúbal que Nuno Crato é o pior ministro da educação que Portugal teve desde a revolução de abril de 1974.

«Nós temos neste momento em Portugal o pior ministro da Educação que existe desde o 25 de abril. E é preciso dizê-lo com clareza, porque está a provocar um retrocesso na sociedade portuguesa absolutamente inqualificável», disse Jorge Coelho, citado pela Lusa.

«Este ministro é o mais reacionário deste Governo», corroborou pouco depois Paulo Pedroso, também ex-governante do PS, convicto de que o desinvestimento do governo PSD/CDS na educação é ideológico, não resulta da crise e dá a ideia de que Portugal terá regressado a tempos anteriores a Veiga Simão (ministro da Educação do Estado Novo).

Jorge Coelho e Paulo Pedroso falavam a cerca de duas centenas de pessoas na conferência «A década de Setúbal», iniciativa da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista que decorreu hoje numa unidade hoteleira da cidade do Sado e que também contou com as participações de António Vitorino e Vieira da Silva.

Apontado como presidenciável, António Vitorino não disse uma palavra sobre o assunto, mas defendeu a fidelidade do PS às questões sociais e defendeu a necessidade de se «retomar a trajetória das qualificações dos portugueses», lembrando que não há competitividade da economia sem profissionais qualificados.

Durante três horas e meia os últimos cabeças de lista do PS pelo distrito de Setúbal falaram do que deverão ser as estratégias de desenvolvimento da região na próxima década, mas também dos desafios imediatos que se colocam ao Partido Socialista a nível nacional.

Para Jorge Coelho, antigo ministro da Administração Interna de António Guterres, o PS tem de transmitir confiança aos eleitores, mas também precisa de mostrar sinais de mudança.

«As pessoas têm de ter confiança em alguma coisa», disse Jorge Coelho, convicto de que o PS tem de esclarecer quais são as prioridades concretas que defende para o futuro próximo do País.

«O PS não é o Siryza nem o PASOK (Grécia), mas tem de perceber que temos obrigações novas perante a sociedade. Tem de se dar uma inversão nisto», disse.

Aos avisos de Jorge Coelho para o interior do próprio PS, juntam-se as dúvidas de Paulo Pedroso, que não vislumbra qualquer possibilidade de um entendimento do PS com o PCP ou com o BE depois das eleições legislativas previstas para outubro deste ano de 2015.