A Madeira está a reclamar do Estado 30 milhões de euros dos jogos da Santa Casa da Misericórdia e 3% das verbas do Orçamento do Estado destinadas ao Ministério da Saúde.

«É importante referir que o Estado continua sem transferir o envelope financeiro, como era seu dever e obrigação constitucional, nem as verbas dos jogos sociais da Santa Casa da Misericórdia afetas ao Ministério da Saúde», salientou Jardim Ramos numa conferência, no Funchal, destinada a assinalar os 37 anos da regionalização do Serviço de Saúde da Madeira.

O governante disse ainda, citado pela Lusa, que o incumprimento do Governo da República levou o executivo regional a suspender o projeto de construção de um hospital de raiz e a avançar com a reabilitação do atual.

O responsável mencionou que o executivo gastou nesta obra 30 milhões de euros e «o hospital ficou com condições para funcionar por mais alguns anos». A intervenção deverá ficar concluída em dezembro e para já não está previsto outro projeto de ampliação. «Um novo hospital vai ter de acontecer na Madeira, mas temos de ter condições financeiras para tal», declarou, salientando que se trata de um investimento de 300 milhões.

O secretário regional lembrou que em 1977, quando se fez a regionalização do Serviço de Saúde, a Madeira tinha apenas 164 médicos, 519 enfermeiros, 44 farmacêuticos e os exames complementares de diagnóstico eram análises clínicas, eletrocardiogramas e raio X convencional.

«Passados 37 anos, o Serviço Regional de Saúde apresenta-se com 747 médicos, 2.698 enfermeiros, 240 técnicos superiores de saúde e muitos equipamentos que melhoram a qualidade da prestação de cuidados de saúde à população». Atualmente, só têm necessidade de se deslocar ao continente ou ao estrangeiro os doentes para transplante de órgãos, referiu.

O governante revelou ainda que 45% dos utentes que contraíram infeções hospitalares na Madeira em 2013 faleceram, número que é inferior à média nacional, mas escusou-se a revelar o número total de óbitos.

No decurso da conferência, foram apresentados vários dados estatísticos relativos à regionalização da saúde, onde se verifica, por exemplo, que a esperança de vida à nascença aumentou mais quatros anos, embora se mantenha dois anos e seis meses inferior à média nacional.

A taxa de mortalidade infantil passou dos 120 óbitos por 1.000 nascimentos em 1950 para 2,7 em 2011 e não há registo de mortalidade materna na Madeira desde 2010.

Quanto à taxa bruta de mortalidade, baixou de 2.583 óbitos em 2012 para 2.436 em 2013, sendo a principal causa de morte as doenças respiratórias.