O conselho executivo da Faculdade de Medicina do Porto apelou hoje ao Governo para que encontre «soluções reais e sustentáveis» para os problemas agora identificados no Hospital de São João de modo a assegurar a manutenção da qualidade assistencial.

«As razões que os diretores de Unidades Autónomas de Gestão e de Serviço apresentaram para fundamentar o seu pedido de demissão preocupam-nos muito pelos riscos que representam para a assistência aos doentes, cuja qualidade valorizamos sem reservas (...) e porque da sua qualidade depende a qualidade do ensino médico», afirma, em comunicado.

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) acompanha «com muita preocupação o que se passa no Centro Hospitalar de São João (CHSJ), porque é o hospital nuclear da faculdade para o ensino e educação médicas devidamente protocolado com a Universidade do Porto», acrescenta.

A FMUP identifica no grupo de diretores demissionários muitos dos «melhores e mais empenhados» profissionais das duas instituições.

A administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto, anunciou na quinta-feira que todos os dirigentes intermédios daquela estrutura se demitiram.

Em comunicado enviado à Lusa, o Conselho de Administração do centro hospitalar adianta que «os responsáveis pelas oito unidades intermédias de gestão do Centro Hospitalar de São João (Unidades Autónomas de Gestão de Medicina, de Cirurgia e de Urgência e Medicina Intensiva, Centros Autónomos de Medicina Laboratorial e de Imagiologia, Clínica da Mulher, Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental e Hospital Pediátrico Integrado) e os 58 diretores de Serviços clínicos e não clínicos decidiram, em reunião efetuada na manhã do dia 19 de junho, apresentar o seu pedido de demissão».

Numa carta enviada hoje ao presidente do Conselho de Administração do CHSJ, a que a Lusa teve acesso, os presidentes demissionários dos conselhos diretivos de todas as Unidades Autónomas de Gestão, das áreas clínicas, do Centro Hospitalar de São João, justificaram a sua decisão por se verem «confrontados com uma completa ausência de meios efetivos de gestão» e numa situação que atingiu a «insustentabilidade».

Também hoje, no Parlamento a demissão em bloco dos presidentes das UAG e de todos os diretores de serviço do CHSJ foi abordada pelo coordenador do BE João Semedo e pelo Primeiro-Ministro.

Classificando como «gravíssima» a situação daquela unidade hospital, João Semedo lembrou os elogios que o primeiro-ministro tem feito aos profissionais daquele hospital, desafiando Passos Coelho a ir ao São João para repetir o que tem dito.

«Se o senhor primeiro-ministro for ao hospital garanto que não sai de lá, vai ficar lá internado porque os profissionais pensaram que o seu estado de saúde mental não é o mais adequado às funções de um primeiro-ministro», gracejou João Semedo.

Passos Coelho respondeu imediatamente, prometendo não fazer «nenhuma graçola sobre o estado mental» do coordenador do BE, e reiterando os elogios ao «trabalho notável» que tem sido desenvolvido pelos profissionais do São João, hospital que tem merecido «todas as qualificações de bom prestador e de excelência».

O primeiro-ministro reconheceu ainda que as queixa que têm vindo a ser apresentadas pelos profissionais do São João "são reais», mas não se podem resolver de «uma penada problemas estruturais que têm anos».

Porém, continuou, apesar das razões apontadas por quem trabalha no São João serem «reais», «a solução não será atingida com a demissão em bloco de bons profissionais».