O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo criticou hoje o primeiro-ministro e o Presidente da República por, «até hoje», não terem tido «uma palavra de reconhecimento e de estímulo ao trabalho heróico dos bombeiros».

O dirigente do BE disse que «é preciso lembrar que, até hoje», nem o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, nem o Chefe de Estado, Cavaco Silva, «tiveram uma palavra de reconhecimento e de estímulo à atividade e ao trabalho heroico dos bombeiros portugueses».

João Semedo falava à agência Lusa em Vila Nova de Milfontes, Odemira, à margem de uma sessão autárquica, tendo aproveitado para aludir aos incêndios que têm lavrado no país, nos últimos dias.

O bloquista lembrou que, durante os recentes fogos que afetaram as zonas altas do concelho do Funchal, na Madeira, o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, foi «criticado por não ter interrompido as suas férias quando a ilha estava em chamas».

Alberto João Jardim, disse, «estava a passar férias ao lado», mas não se deslocou ao Funchal «para acompanhar a situação dramática que, naqueles dias, se viveu na Madeira».

«Isso foi muito criticado e bem criticado», argumentou o líder bloquista, defendendo, porém, que «não basta criticar Alberto João Jardim», porque também «tem que ser lembrado» o papel de Passos Coelho e de Cavaco Silva.

A propósito dos incêndios que têm ocorrido no país, especialmente no centro e norte, João Semedo disse ser «uma situação que, todos os anos, se verifica».

Nesta época, «é natural, por ter havido redução nos orçamentos e no investimento na prevenção dos fogos», que «a situação possa estar a ser mais grave do que em anos anteriores», admitiu, embora realçando tratar-se de um «balanço que ainda terá que ser feito».

Contudo, o balanço que já pode fazer, disse, é o relacionado com os três bombeiros que morreram no combate às chamas, este ano, no país.

Segundo Semedo, «é preciso uma palavra de reconhecimento de toda a sociedade pelo esforço, abnegação, heroísmo e coragem de milhares de bombeiros voluntários», muitos dos quais ¿não têm qualquer ajuda».

«É preciso dar essa palavra e estou aqui a dá-la em nome do BE», frisou.