O primeiro-ministro, António Costa, expressou esta terça-feira grande pesar pela morte do ex-coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, que lembrou como uma pessoa "exemplar em toda a sua vida", combatente pela democracia e pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Foi alguém que foi exemplar em toda a sua vida, como combatente pela liberdade, pela democracia, pelo SNS. Era uma pessoa por quem eu tinha não só estima como profunda admiração, designadamente pela forma muito corajosa como enfrentou ao longo de muitos anos uma batalha muito dura contra a doença. E é com muita pena que o vejo partir", declarou António Costa.

O chefe do Governo falava aos jornalistas num hotel em Santa Maria, na ilha do Sal, Cabo Verde, onde hoje à tarde terá início a XII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Queria, em primeiro lugar, dar um abraço de condolências à família, apresentar as minhas condolências também à direção do Bloco de Esquerda e queria, sobretudo, manifestar muito pesar", afirmou.

António Costa referiu que teve "a oportunidade de privar com o João Semedo" e manifestou "uma grande admiração por ele, pela sua luta, pelo seu combate, como democrata, como antifascista, como defensor do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e também pela forma corajosa como se bateu ao longo destes longos anos contra a doença".

O primeiro-ministro vai fazer-se representar no velório do ex-coordenador do BE João Semedo pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, e na quarta-feira, no funeral, pela ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques.

"Homem de causas"

Já o Presidente da República lamentou a morte do ex-coordenador bloquista, recordando-o como um "homem de causas", defensor do Serviço Nacional de Saúde, e afirmando que o país sentirá a sua falta, numa nota divulgada no portal da Presidência da República.

O chefe de Estado, que também se encontra em Cabo Verde, na ilha do Sal, para participar na XII Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), telefonou à coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, a dar-lhe as condolências.

Marcelo Rebelo de Sousa considera que "foi pelas escolhas que fez" que João Semedo "se destacou, sempre com uma afabilidade acentuada, convencendo pelo exemplo, afirmando-se pela força do seu pensamento lúcido e clarividente".

Até a morte encarou com a firmeza e a bondade que o caracterizava, tendo afirmado numa das suas últimas entrevistas que viveu como quis e que de nada do que é importante se arrependeu. O país sentirá a sua falta, o Presidente da República honra a sua memória", acrescenta.

Segunda figura do Estado, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, reagiu à notícia, recordando João Semedo como um “homem de diálogo e de convicções”, que deixa uma “imensa saudade”.

Numa mensagem colocada no website do Parlamento, Ferro Rodrigues sublinha que Semedo "contribuiu decisivamente para a consolidação do BE e para a atual solução de governo” com o executivo minoritário do PS e com o apoio parlamentar dos partidos à esquerda.

O médico João Semedo, antigo militante comunista e ex-deputado do BE, morreu esta madrugada, aos 67 anos, vítima de cancro.