O coordenador do BE João Semedo apelou ao primeiro-ministro que determine a realização de uma sindicância ao Conselho de Ministros para um «completo esclarecimento» das fugas de informação no caso BES.

«Não compreendemos que o Governo nada diga, nada faça, nada esclareça. Consideramos inadiável que o Governo determine, o primeiro-ministro determine, a realização de uma sindicância ao Governo, ao conselho de ministros, para que haja um completo esclarecimento sobre estas fugas de informação e que essa sindicância deve ser dirigida por um juiz escolhido e indicado pelo Conselho Superior de Magistratura», afirmou o coordenador do BE, numa conferência de imprensa na sede do partido.

Sublinhando que as fugas de informação não podem ficar impunes, João Semedo defendeu a necessidade de transparência, informação e esclarecimento «para o bom funcionamento das instituições».

«O BE não compreende que o Governo ao fim de tanto tempo ainda não tenha tido uma palavra, uma atitude relativamente a estas fugas de informação», sustentou, notando que, além de «politicamente serem reprováveis e condenáveis», estas fugas de informação tiveram um grande impacto na matéria que estava a ser alvo da intervenção do Governo e do Banco de Portugal (BdP).

A este propósito, José Semedo lembrou que, enquanto circulava «informação e contra-informação», as ações do BES continuaram em bolsa durante dois dias, o que se traduziu na deterioração do valor do BES em cerca de 70% e tornou o problema do banco «ainda maior do que ele já era».

Contudo, continuou, apesar da CMVM já estar a averiguar se houve manipulação de mercado e informação privilegiada que não devia ter havido, é também necessário esclarecer do ponto de vista político como é que o comentador da SIC Luís Marques Mendes foi «completamente esclarecedor sobre aquilo que no dia seguinte o governador do BdP ia anunciar relativamente ao BES».

«Como é que o doutor Luís Marques Mendes tomou conhecimento tão pormenorizado sobre aquilo que 24 horas depois foi anunciado? Se ele sabia, também temos de saber que outros altos dirigentes do PSD, ou mesmo não sendo do PSD, tiveram conhecimento», frisou o coordenador do BE.

«Quem teve durante aqueles 2 dias conhecimento do que ia acontecer no BES e que tenha contactos profissionais ou políticos de grande proximidade com grandes empresas, com sociedades financeiras, com outras entidades bancárias?», questionou, lembrando que, por exemplo, o antigo ministro do PSD José Luís Arnaut está atualmente na Goldman Sachs, uma das sociedades que vendeu 4 milhões de ações do BE.

Insistindo que «o Governo não pode ficar silencioso», João Semedo reconheceu não ser a primeira vez que o antigo líder do PSD Marques Mendes funciona como «porta-voz» do Governo, mas notou que «isto degrada a imagem das instituições».

«O Governo e o BdP ocultaram mais do que informaram», acrescentou, referindo igualmente a divulgação por parte de uma sociedade de advogado da ata da reunião do BdP que aprovou um conjunto de decisões sobre o BES.