O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo considerou esta terça-feira muito difícil que o Governo aumente o salário mínimo e alegou que o executivo PSD/CDS-PP vai dar continuidade à austeridade através de «pesadíssimos sacrifícios».

Em declarações aos jornalistas, na residência oficial de São Bento, em Lisboa, no final de uma reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sobre a conclusão do programa de resgate a Portugal, João Semedo afirmou que esse encontro confirmou «um conflito definitivo entre o Governo e o BE».

No que respeita à austeridade, João Semedo referiu que o BE saiu deste encontro sem «nenhuma novidade» sobre futuras medidas, mas convicto de que «o Governo está apostado numa marcha forçada para reduzir o défice brutalmente num período curtíssimo impondo pesadíssimos sacrifícios».

«O que hoje o Governo nos disse é que toda esta política de austeridade é para continuar, com cortes nos salários e nas pensões, redução do orçamento dos serviços públicos e, sobretudo, redução na despesa social do Estado», declarou o coordenador do BE.

«O primeiro-ministro enunciou um caminho de continuidade com as políticas atuais de austeridade e de corte na despesa pública e na despesa social. Não tivemos desse ponto de vista nenhuma novidade, o senhor primeiro-ministro disse na reunião aquilo que tem dito publicamente e que é conhecido de todos», acrescentou.

Quanto a um eventual aumento do salário mínimo, João Semedo disse: «Essa matéria não foi discutida, mas, num contexto de austeridade, vai ser muito difícil que o Governo cumpra aquilo que nos últimos dias tem indiciado que poderá vir a fazer, que é aumentar o salário mínimo nacional».

O dirigente bloquista acentuou que o BE rejeita a atual política de «empobrecimento generalizado» e entende que «este é o momento de desobedecer aos credores e à troika», através de uma reestruturação dos prazos, juros e montantes da dívida pública portuguesa e da rejeição do chamado tratado orçamental por via de um referendo nacional.

Para além de João Semedo, integraram a delegação do BE que hoje se reuniu com o primeiro-ministro a coordenadora deste partido Catarina Martins, o líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, e a deputada Mariana Mortágua.