O coordenador do BE João Semedo excluiu hoje qualquer «hipótese» de entendimento com o PS de António José Seguro, que acusou de apoiar um segundo resgate e de ter escolhido o «lado direito do campo político».

«Com o PS de António José Seguro o Bloco de Esquerda não tem qualquer possibilidade, nem julgo que se ponha sequer a hipótese de qualquer entendimento à esquerda», afirmou João Semedo aos jornalistas após a reunião da Mesa Nacional do BE.

A Mesa Nacional do BE, o órgão máximo do partido entre convenções, reuniu-se hoje num hotel de Lisboa para discutir o Orçamento do Estado e os resultados das eleições autárquicas.

«Quando oiço [o socialista] Francisco Assis dizer que o PS deve assinar, fazer, apoiar um segundo resgate, isto é o mesmo que dizer que o Partido Socialista não olha para a sua esquerda, só olha para a sua direita e isso inviabiliza qualquer entendimento à esquerda», declarou.

Semedo sublinhou que o Bloco defende um «Governo de esquerda» que seja «contra a troika» e que seja «contra o primeiro, o segundo ou quaisquer resgates».

O antigo líder parlamentar do PS, Francisco Assis, disse à Antena Um na semana passada que, caso seja necessário avançar para um segundo resgate, o PS "deve participar nesse esforço", mas não deve assinar de cruz.

Para o BE, «este Orçamento é o Orçamento do Estado que ultrapassa todas as linhas vermelhas porque não apenas atingirá pela primeira vez os titulares de pensões de sobrevivência, mas porque atingirá todos os portugueses, porque lhe retira salários, pensões e reformas, mas também pela degradação dos orçamentos dos serviços público».

João Semedo considerou que o Orçamento que será discutido no domingo em Conselho de Ministros extraordinário «põe o país na antecâmara do segundo resgate ou de qualquer programa semelhante que garanta austeridade para todo o sempre».

«Este segundo resgate terá a aceitação, o apoio, a assinatura do Partido Socialista», frisou, reiterando a necessidade de demitir o Governo e convocar eleições antecipadas.

O BE convocou uma «jornada nacional popular pelo chumbo do Orçamento do Estado», que coincidirá com o debate na especialidade do Orçamento e que tem por objetivo revelar ao país «as linhas vermelhas» do documento e as propostas bloquistas.

Sobre as pensões de sobrevivência, o coordenador bloquista disse ter visto, «com espanto», na imprensa, que «seria alguém do CDS a anunciar a proposta do Orçamento do Estado que virá a consagrar sobre as pensões de sobrevivência».

«Seria extraordinário que fosse o CDS a anunciar aos portugueses as decisões que o Conselho de Ministros ainda não tomou. Isso seria absolutamente intolerável, mas neste Governo tudo é possível e com o CDS e com Paulo Portas, tudo é possível», afirmou.

A Mesa Nacional do BE aprovou um apelo à participação nas manifestações da CGTP-IN, no dia 19, e do movimento «que se lixe a troika», no dia 26 de outubro.

Sobre a manifestação da CGTP-IN, convocada para várias pontes do país, Semedo diz que o BE confia na avaliação da central sindical relativamente à ponte 25 de Abril, apesar de pareceres de segurança negativos.

«Este Governo não tem simpatias pelo movimento sindical e tudo faz para atrapalhar a vida e a organização das manifestações e de outras atividades sindicais, mas eu julgo que o Governo está enganado e vai arrepender-se e isto vai significar mais mobilização para o dia 19 de outubro», argumentou.