O líder parlamentar do PCP condenou esta terça-feira os «cortes adicionais» anunciados pelo Governo e o seu «programa de terrorismo social», destacando as consequências críticas para o setor da Saúde perante a «racionalização» defendida pela ministra das Finanças.

«Todas estas medidas são cortes adicionais porque o Governo passou os últimos três anos a dizer que era a troika que obrigava e que só existiram durante o período de duração do pacto», disse João Oliveira, nos Passos Perdidos do Parlamento.

Maria Luís Albuquerque, afirmara, após Conselho de Ministros extraordinário, que as medidas definidas para cumprir o défice de 2,5% em 2015 equivalem a 1.400 milhões de euros, o correspondente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

«Aquilo que a ministra das Finanças veio anunciar foi que, afinal de contas, para 2015, além da duração do pacto, haverá mais cortes. Portanto, são cortes adicionais que o Governo toma como opção para insistir neste programa de terrorismo social», continuou o deputado comunista.

A reunião do executivo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas serviu para os ministros fecharem as medidas para o ano de 2015, que o Governo tem de entregar aos credores internacionais para fecharem formalmente a 11.ª avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF).

«O Governo, se tiver condições para isso, vai pretender perpetuar toda a política da troika. Como temos dito, não haverá saída da troika enquanto este Governo se mantiver em funções», antecipou João Oliveira.

Para 2015, a meta do défice acordada entre o Governo e a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) é de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

O parlamentar do PCP destacou a situação do setor da Saúde, referindo-se à existência de falta de meios humanos e materiais em numerosas unidades um pouco por todo o país.

«A racionalização é um eufemismo para impor condições indignas na Saúde. A ministra acabou de nos dizer "mais do mesmo". Isto é caminho que os portugueses possam aceitar? Mobilizaremos todas as nossas forças para que os portugueses se concentrem nestes objetivos: derrotar e demitir o Governo e exigir eleições antecipadas», prometeu.