A troca de acusações sobre o Novo Banco entre PS e coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) ainda vai no adro. Galamba disse que o vice-primeiro-ministro Paulo Portas foi "categoricamente desmentido" pela Comissão Europeia. 

O deputado acusou Portas de "total descaramento político", disse ainda que se esqueceu que as previsões da Comissão Europeia para o défice de 2015 são 3,1% e que, pelo andar da carruagem (4,7% no primeiro semestre), o Governo não vai cumprir nem a estimativa europeia, muito menos a do Executivo de 2,7%, o que faria Portugal sair, finalmente, do procedimento de défices excessivos. 

"Segundo a Comissão Europeia, o Governo vai falhar as metas do défice. Aquele ponto de honra do Governo de que o défice vai ficar abaixo de 3% foi desmentido pela Comissão Europeia e foi desmentido há muito. Se o Governo diz que é ponto de honra ficar abaixo dos 3% das duas uma: ou abandona o ponto de honra ou tem de anunciar aos portugueses medidas adicionais para cumprir essa meta." 


Numa declaração aos jornalistas à porta da Associação Académica de Coimbra, o deputado socialista advertiu que o impacto "pontual" de que a Comissão Europeia fala é em relação ao défice de 2014 (que disparou para 7,2% com o impacto do banco). Mas com os testes de stress do BCE, em novembro, "muito provavelmente" irão resultar em mais injeção de capital, pelo serão precisas "medidas adicionais para reduzir a dívida". 

É que o fundo de resolução, que fez a recapitalização do BES, é uma entidade pública que conta com contribuições de todos os bancos. Se for preciso mais dinheiro, mais dívida será criada para o Estado. E aí, recorde-se, já estará um novo governo em mãos. 

O deputado assinalou que o PS,  se vier a ser Governo, "não tem qualquer problema com desvio orçamental deste ano" causado pelo Novo Banco, diz, porque incluiu no seu cenário macroeconómico o não cumprimento das metas do atual executivo. 

Galamba advertiu, de qualquer modo, para os "riscos" que o banco poderá trazer para os anos que aí vêm.

"Poderá ter outras necessidades de capitalização que não conhecemos e outra necessidade: os custos de toda a litigância jurídica, que serão todos imputados ao fundo de resolução, isto é, uma entidade pública e no momento em que ocorrerem agravarão o défice."


Por isso, incitou Portas a, depois de ter "inventado coisas sobre programa dos outros", fazer "o favor de explicar aos portugueses detalhadamente este tema e consequências que isso terá".